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A proposta da Microsoft de estabelecer um padrão de certificação na identificação de e-mails, chamada de Sender ID (Emissário de Identificação) foi rejeitada pela Internet Engineering Task Force (Força-tarefa de Engenharia para a Internet), órgão internacional responsável pela padronização tecnológica da rede.
A idéia da gigante de Redmond (cidade do estado de Washington onde fica a sede mundial da Microsoft) é criar um mecanismo eficaz no combate ao spam por meio da identificação da origem dos e-mails em massa. Mas a decisão da empresa de Bill Gates de impor restrições no uso de seu sistema, já que ele seria uma propriedade intelectual da companhia, desagradou vários membros da entidade regulatória.
O grupo acha inaceitável a insistência da Microsoft em manter segredo sobre uma possível aplicação de patente, ou seja, de alguma forma querer cobrar pelo uso desse mecanismo.
"Nosso grupo de trabalho conseguiu, até agora, chegar ao consenso de que a decisão de se aplicar leis de patente (por parte da Microsoft) não deve ser ignorada", declarou Andrew Newton, um dos coordenadores do grupo, por meio de um e-mail enviado para o fórum de discussão da entidade.
Essa decisão vem três dias depois que os dois diretores do grupo (formalmente conhecido como MTA Autorization Records in DNS, ou Marid), Andrew Newton e Marshall T. Rose, convocaram os engenheiros do grupo para esboçar uma solução híbrida que utilizasse parte da tecnologia desenvolvida pela Microsoft. Grupos de desenvolvimento de software livre, incluindo os gerentes de projeto do servidor Apache e do distribuidor Linux Debian, se engajaram nessa causa que busca a transparência das intenções da Microsoft em relação às suas intenções.
Sean Sundwall, representante da Microsoft, disse que a companhia poderia continuar com seus planos de desenvolver por sua própria conta o Caller ID for Email (Identidade de Quem Liga para Email). Segundo Sundwall, em agosto a empresa já tinha fechado um acordo com 80 provedores de serviços de e-mail em Redmond, como parte do E-mail Serice Provider Consortium (Consórcio de Servidores de Serviço de E-mail), além de já fazer parte da Anti-Spam Technical Alliance (Aliança Técnica Anti-Spam), cujos membros, além dela mesma, são o Yahoo!, Earhlink e AOL.
Isso tudo mostraria a disposição da Microsoft em resolver o problema do spam, segundo o representante. "A companhia fez um bom trabalho vendendo a infra-estrutura necessária para essas empresas em benefício ao propósito de acabar com o spam", disse Sundwall.
Na opinião dele, não é possível determinar as razões reais da recusa da IETF em aceitar o Caller ID como um padrão para a Internet. O que ele lembra é que muitos dos membros do Marid sequer estavam presentes nas votações. "Se você olhar para o número de votantes vai reparar que é muito pequeno".
A idéia de se autenticar os autores de e-mails tem sido discutida há anos como uma maneira de combater os spammers que cada vez mais entopem nossas caixas de entrada com lixo. Sender ID é a maneira mais próxima da realidade que a indústria conseguiu chegar, mas ela ainda é muito complicada pois envolve duas abordagens para um só problema, que é o rastreamento e a localização de onde o spam surgiu.
A Microsoft realmente contribui no desenvolvimento dessa ferramenta. O único empecilho para que ela se torne realidade é que Bill Gates não abriria mão de cobrar pelo licenciamento de seu uso.
Essa é mais uma página da briga entre as empresas e as comunidades desenvolvedoras de programas open source. No final das contas, o veto dos engenheiros não quer dizer que é o fim do Sender ID, nem o afastamento da Microsoft dessa questão. Agora, o que resta à gigante de Redmond é decidir se vai vender o Sender ID ou vai liberá-lo para a comunidade do software livre.
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