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Spam
Quarta, 7 de julho de 2004, 17h01 
Países em desenvolvimento temem custos do spam
 
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Vários países em desenvolvimento expressaram em Genebra hoje sua preocupação com o custo que pode ter a luta contra a proliferação de mensagens eletrônicas não solicitadas, já que ela aprofundaria ainda mais a brecha digital que separa tais nações dos países industrializados.

O fenômeno, conhecido como spam, alcançou tal magnitude que, segundo especialistas em telecomunicações, três em cada quatro mensagens eletrônicas que circulam diariamente pelas redes digitais são lixo eletrônico. No encontro em Genebra, estão sendo estudadas medidas legislativas e tecnológicas, assim como uma maior cooperação internacional capaz de fazer frente a essa epidemia do ciberespaço.

Representantes de países africanos e latino-americanos que participam da reunião convocada pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) advertiram que as soluções tecnológicas podem prejudicar os usuários da Internet no mundo em desenvolvimento. Participantes da Tanzânia e da Zâmbia coincidiram ao observar que os filtros e outros sistemas de proteção contra essas mensagens que se instalam nos computadores representam um custo adicional para os provedores de serviços de Internet e para os usuários, o que encarece o acesso às novas tecnologias nesses países.

A diretora da Superintendência de Telecomunicações da Bolívia, Gabriela Urquidi, que também participa da reunião da UIT, disse que se fossem utilizados recursos tecnológicos para frear a proliferação do spam, "os custos poderiam ser muito elevados, o que afetaria os usuários". Por outro lado, segundo ela, se fosse aplicado uma regulamentação muito severa, esta poderia frear o desenvolvimento da Internet e o tráfego nas redes, limitando "o desenvolvimento tecnológico".

Para o combate do problema, Urquidi defendeu o uso de "medidas o mais flexíveis possíveis, que tenham um mínimo de incidência nos custos". A alta funcionária boliviana disse que, na região latino-americana, Argentina e Chile dispõem de "uma legislação mais avançada" contra o fenômeno. Porém, considerou que é necessário analisar as medidas adotadas nos Estados Unidos, União Européia, Japão e Coréia do sul, os maiores produtores e usuários de novas tecnologias.

Especialistas de vários países ocidentais destacaram a necessidade de uma atitude mais "agressiva" no combate ao lixo eletrônico. Alguns sugeriram inclusive o corte do mal pela raiz, ou seja, atuar contra os produtores e transmissores dessas mensagens não solicitadas. No entanto, destacaram as dificuldades de se localizar os spammers, devido a deficiências no sistema de registro de dados de muitos domínios na Internet.

A carência de leis em muitos países sobre essas novas tecnologias permite que algumas pessoas registrem páginas da Internet e endereços de e-mail com identidades fictícias, a partir das quais podem enviar ou retransmitir todo tipo de mensagens.

Embora parte do spam se limite a mensagens publicitárias, outros são armadilhas que podem derivar em fraudes. Há ainda e-mails mais sofisticados capazes de espionar computadores, propagar vírus que destroem informações armazenadas e atingir outros usuários através das redes digitais.
 

EFE

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