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A trilogia The Matrix foi considerada por toda a imprensa e alguns estudiosos como um alerta para a ascensão do controle da máquina sobre o homem. Várias discussões foram iniciadas após o filme e as mais tenebrosas projeções foram feitas a respeito de um futuro de homens controlados por máquinas inteligentes.
Mas a trilogia dos irmãos Wachowski traz à tona uma outra metáfora: a do fim da inocência dos consumidores em relação à realidade paralela construída pelo capitalismo. Ou seja, o fim da inocência em relação às reais intenções das marcas, da propaganda e de todo os artifícios de controle exercidos pela indústria cultural, a nossa verdadeira matrix.
Chamo este novo período, após o fim da inocência dos consumidores em relação às marcas, de "Depressão Pós-Matrix". Apesar de ser o próprio filme um produto da indústria cultural, que ajudou a vender de celulares a óculos esportivos, os habitantes das metrópoles puderam se reconhecer dentro do enredo e entender que há um mundo sendo controlado, virtual, por trás do mundo real.
Este mundo virtual foi desenhado para ser um mundo de marcas, dos superexecutivos, da imprensa de reputação ilibada e da propaganda que define modelos e novos comportamentos, elegendo a magreza como padrão de beleza feminino.
Porém este mundo Matrix aos poucos enfrenta seus primeiros bugs, ou falhas na Matrix. Empresas consideradas sérias como a Enron se tornam sinônimos de corrupção. A imprensa não é mais a mesma. Mesmo o inabalável New York Times sofre com credibilidade por causa de jornalistas como Jayson Blair, que inventava e plagiava matérias. E mesmo os grandes executivos já não são mais os mesmos. A toda-poderosa Carly Fiorina, da HP, teve o mesmo tratamento de "aprendiz" de um reality show corporativo: demitida.
Os consumidores já perceberam estas falhas na Matrix e hoje iniciam uma reação que vem do subterrâneo. Alguns acontecimentos recentes são simbólicos do despertar dos consumidores para este cenário de controle. O primeiro: a ascensão dos blogs como ferramenta de resistência. Os blogs estão se insurgindo contra a imprensa especializada e já são considerados ameaça às empresas. A ascensão do browser Firefox sobre o Internet Explorer e do código aberto sobre o código fechado também é sintomática da reação dos rebeldes.
Nos EUA, onde a consciência sobre o domínio é maior, presenciei vaias do público em diversas seções de cinema todas as vezes que a platéia era submetida a alguns minutos de comerciais. A lógica lá é: se eu pago para ver um filme, por que estou vendo comerciais?
Porém, a Matrix já tem suas regras estabelecidas para tentar vencer o inimigo. Uma das regras já havia sido estudada no século passado por Theodor Adorno, filósofo e sociólogo alemão, considerado um crítico ferrenho da cultura de massa.
Adorno afirmou que a indústria cultural se apodera do que considera subversivo revertendo a subversão em proveito próprio. Será por isso que algumas marcas criam blogs para o consumidor ou criam fóruns nos seus sites corporativos para discutir a real beleza de mulheres mais velhas, mais gordas e mais feias, ou seja, fora dos padrões de magreza vigentes? Os casos não param por aí. Mesmo Madonna e algumas gravadoras usam software Peer-to-Peer como o Kazaa para divulgação de novas músicas.
Pela primeira vez, desde os anos 60, assistimos a uma volta da rebeldia e da contestação. Não daquela na rua, mas de uma contestação hacker, do subterrâneo, que aos poucos vai se infiltrando na Matrix, espalhando suas idéias contestadoras e tidas como subversivas. Essa resistência, que é simbolizada pela resistência à propaganda, às marcas, à imprensa e a tudo que é oficial tem nos blogs o seu bastião.
Os blogueiros, como uma força organizada, a tudo contestam e a tudo vêem. Recentemente ao colocar o site da minha empresa no ar, a E-LIFE Comunicação, onde prometo trabalhar a comunicação através de relações públicas com blogueiros, fui questionado por vários deles. Felizmente, ao contrário das empresas que se calam, estabeleci um diálogo e respondi às dúvidas dos mesmos.
Outro exemplo que apresentarei numa palestra a ser realizada no III Congresso Brasileiro de Gestão Educacional é a de Alan Carvalho, um coordenador pedagógico da Universidade Anhembi Morumbi que se relaciona com seus alunos, respondendo perguntas e críticas, e provocando discussões em comunidades on-line como o Orkut. Sem saber, Alan é um relações públicas da instituição.
E sua empresa, se preocupa com os comentários positivos ou negativos sobre ela na Internet?
* Alessandro Barbosa Lima também participa da Matrix. Mas apóia os blogueiros rebeldes...Alessandro Barbosa Lima é consultor de Marketing Online e autor do livro E-LIFE - Idéias Vencedoras para Marketing e Promoção na Web. Saiba mais sobre o autor, o livro e sobre seu trabalho de consultoria ou solicite palestras em sua empresa acessando www.elife.com.br ou enviando um e-mail para albali@elife.com.br
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