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Os crackers conseguiram acesso a informações pessoais de mais de 32 mil pessoas armazenadas na base de dados da empresa LexisNexis. Com o novo ataque, o terceiro em um mês, os hackers tiveram acesso aos nomes, endereços e números da Previdência Social (equivalente ao número da carteira de identidade em outros países).
De acordo com a polícia, esses criminosos poderiam utilizar as informações obtidas para solicitar cartões de crédito com nomes falsos ou se apropriar da identidade dessas pessoas para outros fins ilegais. A LexisNexis disse que ainda não sabe como aconteceu o incidente, ocorrido em janeiro em sua subsidiária Seisint, com sede na Flórida.
A empresa vende dados sobre cidadãos americanos a homens de negócios, pesquisadores privados e instituições financeiras. Aparentemente, o problema surgiu quando os hackers entraram no sistema assumindo identidades de clientes legítimos para roubar as informações. Esta é a terceira vez nas últimas semanas que o roubo de identidade em grande escala é notícia de primeira página nos jornais dos Estados Unidos. A ChoicePoint, outra gigante das bases de dados e concorrente da LexisNexis, anunciou no mês passado que tinha entregado dados de 145 mil pessoas a hackers que se passaram por clientes.
Mais recentemente, o Bank of America reconheceu que tinha perdido fichas que continham informações sobre mais de um milhão de trabalhadores do governo federal, entre eles vários senadores americanos. Além disso, na última terça-feira a sapataria DSW informou que os hackers roubaram os números dos cartões de crédito dos clientes de 103 de suas 175 lojas. Por isso, denfensores da privacidade e dos consumidores pedem leis mais rígidas e uma apuração muito maior das companhias que compram, vendem e armazenam informações sobre as pessoas, que não se caracterizam exatamente por respeitarem os direitos dos cidadãos.
Entre eles está Dianne Feinstein, senadora pela Califórnia e nome forte do Partido Democrata, que disse na última quarta-feira que este novo incidente é o limite e demonstra que "a falta de proteção torna possível o roubo de identidade em grande escala". Feinstein propôs uma lei que, entre outras coisas, obrigaria as empresas a notificar aos indivíduos caso aconteçam problemas deste tipo, assim como determina a legislação já existente em estados como a Califórnia.
"Somos vulneráveis não só a estes ladrões, mas também ao crime organizado e aos terroristas", disse o senador democrata por Vermont Patrick Leahy. "Se os criminosos podem entrar nestes sistemas, existe a possibilidade de os terroristas fazerem o mesmo", disse Leahy. POrém, essas companhias já geravam polêmica antes mesmo destes incidentes.
A Seisint - propriedade da LexisNexis - é a empresa que está por trás do supercomputador contra o terrorismo chamado "Matrix", como o filme de ficção científica. "Matrix", criado após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, permitiu às autoridades americanas mergulhar em informações sobre milhões de cidadãos para descobrir nomes de possíveis terroristas.
O sistema foi muito criticado, pois com ele foram levantados os nomes de 120 mil cidadãos cujos dados supostamente se encaixavam no perfil de um terrorista. Além disso, o fundador da Seisint, Hank Asher, renunciou ao seu cargo na companhia antes que a empresa fosse parar nas mãos da LexisNexis. Na época, foi demonstrado que ele tinha pilotado aviões com cocaína da Colômbia para os EUA, no início da década de 1980.
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