| Ethan Miller/Reuters |
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| Bill Gates quer encontro em Davos com o presidente brasileiro |
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A Microsoft está fazendo lobby junto ao governo do Brasil para tentar fechar um encontro entre o presidente do conselho da empresa, Bill Gates, e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, no Fórum Econômico Mundial, daqui a uma semana. A informação é do presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, Sérgio Amadeu.
O País assumiu papel de destaque no chamado movimento do software livre, esforço de promoção de sistemas operacionais gratuitos como o Linux para computadores, em alternativa aos programas da Microsoft. "O Brasil não teria nada a ganhar com isso, mas a Microsoft ganharia muito", disse Amadeu à Reuters. "Eles querem tentar pressionar Lula para que tome a direção oposta."
Cansado de pagar custos de licenciamento para empresas como a Microsoft, o Brasil - oitava nação mais conectada no mundo - informou que as agências de âmbito federal adotariam o Linux e os programas gratuitos que o acompanham.
Este ano, o governo tentará convencer os cidadãos privados a seguir esse exemplo. Vai subsidiar parcialmente a compra de um milhão de computadores acionados pelo Linux e equipados com 25 outros programas gratuitos, para a população de menor poder aquisitivo.
Um esforço da Microsoft para marcar uma reunião entre Gates e Lula poderia representar uma mudança de estratégia quanto ao maior país da América Latina. No ano passado, a empresa processou Amadeu depois que este declarou que a Microsoft era como um traficante de drogas que distribui amostras gratuitas para viciar os consumidores e depois começa a cobrar pelo produto. A Microsoft abandonou o processo depois que Amadeu alegou estar apenas repetindo o que lera em manuais de economia.
A nova tática conciliatória da Microsoft, em substituição ao confronto, reflete a crescente importância do país na elite digital. Também indica o reconhecimento de que a campanha em favor do software aberto é parte de um conjunto mais amplo de diretrizes implementadas inicialmente pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, antecessor de Lula.
A revista Wired, bíblia da tecnologia, publicou em novembro um extenso artigo elogiando o papel crescente do Brasil no movimento do software livre.
Ainda que quantificar o montante que o governo poderia economizar sob o programa de software gratuito seja difícil, Amadeu disse que a mudança economizaria milhões de dólares para o país nos próximos anos.
A assessoria de imprensa de Lula disse que um encontro entre o presidente e executivos da Microsoft não constava da agenda oficial do presidente durante sua participação do encontro entre líderes empresariais e econômicos a ser realizado em Davos, Suíça, entre 26 e 30 de janeiro. Representantes da Microsoft no Brasil preferiram não comentar o assunto.
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