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As eleições americanas deste ano trouxeram à tona uma discussão interessante: a informação publicada por internautas em blogs e sites pessoais é confiável? Até onde podemos confiar num blog mais do que num site de mídia on-line? Esta mesma coluna é mais confiável se publicada aqui no Terra ou no meu blog (http://www.elife.com.br)?
Lá nos EUA os blogueiros receberam tratamento especial este ano nas eleições. Os que cobriam a corrida presidencial foram incluídos na lista de jornalistas convidados para cobrir as convenções tanto republicanas quanto democratas.
No Brasil, os blogueiros ainda estão longe de receber o mesmo tratamento. Mas há uma diferença básica: lá na América você não precisa ter um diploma para escrever profissionalmente, ou seja, para ser um jornalista.
Lembro-me da primeira vez, em 1998, quando fui à Electronic Entertainment Expo (E3 - www.e3expo.com) de ter me espantado ao cruzar na sala de imprensa com meninos de 12 e 13 anos. Como a E3 é uma feira de jogos, e a garotada entende melhor do que nós dos videgames, é justo que eles escrevam de forma mais adequada para o seu público.
No Brasil, para ser jornalista é preciso ainda cursar pelo menos quatro anos de faculdade. Depois é só tirar o registro no Ministério do Trabalho e se tornar um jornalista profissional.
Enquanto isso, os blogueiros, profissionais ou não, escrevem. E escrevem sobre tudo. Tanto no Brasil quanto lá fora. Aqui, segundo o Blog Census (http://www.blogcensus.net/?page=lang) existem 81 mil blogs.
O serviço brasileiro Blog-se é um diretório de blogs de jornalistas que permite aos profissionais publicarem seus pensamentos pessoais ou profissionais no formato blog. Os melhores blog, no entanto, têm destaque num outro site, o Comunique-se (www.comunique-se.com.br). Segundo o Blog-se, os melhores "poderão ter a chance de ver seus textos num lugar de destaque entre os leitores de Comunique-se". O que se observa é que a publicação pelo portal Comunique-se, também voltado aos jornalistas, confere mais credibilidade ao conteúdo publicado pelos blogs".
Ou seja, será que o conteúdo publicado fora de um portal, ou num site confiável, carece de credibilidade?
Nos EUA, a pesquisa Digital Future Project (http://www.digitalcenter.org/downloads/DigitalFutureReport-Year4-2004.pdf), publicada em setembro/2004, encontrou diferenças entre a percepção que os internautas têm em relação à confiança e à veracidade de conteúdos publicados por diferentes tipos de sites.
A pesquisa foi realizada com internautas experientes e novos usuários e os resultados são interessantes, porém não surpreendem: 83,5% dos internautas experientes disseram que toda informação publicada por meios de comunicação estabelecidos na Internet é confiável e verídica, comparado com 49,1% de novos internautas.
Os sites de governo têm credibilidade um pouco menor: 81,4% dos usuários experientes e 50,1% dos novos usuários disseram que acham as informações publicadas por sites governamentais confiáveis e criteriosas.
Já os sites pessoais não são confiáveis para a maioria dos americanos: apenas 9,2% dos usuários experientes e 7,5% dos novos usuários confiam nestes sites. E aí estão incluídos os blogs.
Ok, sabemos que os blogs como mídia de massa não são confiáveis, mas o que esta pesquisa não levou em consideração é: e se o blog ou site pessoal for de alguém que você conhece ou confia, alguém do seu ciclo pessoal?
Exemplo: você confiaria no site de um professor da sua universidade o qual admira? Provavelmente o índice de confiabilidade seria bem diferente se você conhecesse quem escreve o blog ou site pessoal.
Num recente artigo publicado na Revista InfoExame, o colunista americano John Dvorak questiona os blogs e sua confiabilidade, pondo terra nas expectativas nutridas pela Imprensa em relação ao blog como mídia. A miopia de Dvorak, assim como toda a Imprensa, é considerar o blogue como um veículo de comunicação de massa.
Blog é comunicação em rede. Um blog sempre será popular numa determinada rede social e não em todas as redes. Determinados blogs podem se tornar mais populares que outros. Aí serão hubs. E a popularidade de um blog provavelmente poderá ultrapassar uma determinada rede e atingir outras redes (clusters). Mas nunca será mídia de massa.
Aconselho que Dvorak leia Linked, do húngaro Barabási. Linked demonstra como as ciências das redes pode explicar um monte de coisas que desconhecemos na Internet. Até a próxima coluna!
* Alessandro Barbosa Lima é consultor de Marketing On-line e autor do livro E-LIFE - Idéias Vencedoras para Marketing e Promoção na Web. Saiba mais sobre o autor, o livro e sobre seu trabalho de consultoria ou solicite palestras em sua empresa acessando www.elife.com.br ou enviando um e-mail para albali@elife.com.br
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