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O que muda com a telefonia IP, tecnologia que acaba com as distâncias e trata uma ligação telefônica como um e-mail, já se sabe. Mas como as operadoras vão ganhar dinheiro com isso? É uma pergunta para a qual ainda não se tem uma resposta completa.
Companhias de telefonia de longa distância, como a Embratel, já registram perda de mercado para pequenas empresas que oferecem voz sobre IP (VoIP) como solução mais barata a clientes corporativos no Brasil e no exterior.
Mas são também empresas como a Embratel que devem adotar o VoIP com força em suas ofertas de produtos integrados. A aguardada parceria com a Net vai acelerar isso, fortalecendo a atuação da maior operadora de longa distância do país na telefonia local.
"É o que acontece com a AT&T nos Estados Unidos, que também não tinha telefonia local", disse o gerente de Desenvolvimento de Soluções para o Mercado do CPqD, Roberto do Coutto. O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento é uma fundação privada que desenvolve tecnologia de telecomunicações e começa a oferecer serviços no segmento de VoIP.
O presidente da Embratel, Carlos Henrique Moreira, admitiu durante o evento de telecomunicações Futurecom que é difícil pôr uma amarra sobre a demanda por serviços mais baratos como o VoIP. Dados do CPqD mostram que os custos das chamadas internacionais podem cair até 70% e das nacionais, 50%. Moreira, que prepara um novo plano de negócios para a Embratel, acredita que a empresa "pode liderar a convergência" no país.
O novo controlador da empresa, o grupo mexicano Carso, do milionário Carlos Slim, é dono também da Claro, segundo grupo de telefonia móvel do país, e está para se tornar sócio da Net, maior operadora de TV a cabo brasileira.
O modelo de negócios para a atuação combinada de Embratel, Net e Claro desperta grande curiosidade e pode ser um momento de redefinição para o setor, avalia Coutto. "A primeira das concessionárias a adotar o VoIP deve ser a Embratel", comentou. Se isso se confirmar, o grupo mexicano pode fazer do Brasil uma experiência a ser replicada em outros mercados latino-americanos onde atua. "A estrutura que a Embratel tem, a Telmex não tem", disse o especialista, referindo-se à operadora mexicana do grupo Carso.
Mas o processo de renovação do modelo de negócios das concessionárias de telefonia pode ser lento. Embora estudos indiquem que a partir de 2008 os investimentos das operadoras serão maiores em IP do que em sistemas tradicionais, há também a expectativa de que as concessionárias adiem o máximo possível essa renovação para compensar tudo o que colocaram nas redes existentes. "Se há investimentos que têm que ser amortizados, por que elas vão oferecer o que só os pequenos fazem hoje?", questiona Coutto.
No Brasil, o negócio de VoIP começou a movimentar empresas que construíram redes de última geração, como a GVT, concorrente da Brasil Telecom no Sul do país, além de operadoras menores como Transit e Primeira Escolha.
A presidente da Brasil Telecom, Carla Cico, defendeu no Futurecom que seja regulamentado o VoIP para evitar o chamado "bypass", isto é, a não-remuneração pelo uso da rede em que as concessionárias fizeram pesados investimentos.
Para Coutto, o primeiro passo da modelagem do negócio da nova era da telefonia será a definição de como fazer essa "interconexão" entre os terminais IP e a rede pública. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ainda não se posicionou sobre o tema.
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