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Terça, 28 de setembro de 2004, 13h57 
Livros também são pirateados via Internet
 
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O Grupo de Entidades de Direitos Reprográficos de Ibero-América (Gedri) calcula em cerca de US$ 500 milhões anuais o valor das perdas em direitos autorais dos livros "pirateados" ou fotocopiados nessa região. O Gedri realizou hoje uma reunião em Barcelona no Líber 2004, no qual os editores alertaram sobre a pirataria pela internet, em relação à qual não têm dados concretos devido à dificuldade de controlar os servidores.

O Gedri engloba Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Espanha, México, Panamá, Peru, Uruguai e Venezuela.

Na Espanha, onde não existe o fenômeno da pirataria de livros, são feitas por ano 3,493 bilhões de cópias de páginas de material, que no mercado teriam um valor de aproximadamente 210 milhões de euros, disse hoje Josep Maria Puig de la Bellacasa, presidente do Centro Espanhol de Direitos Reprográficos (Cedro).

Puig de la Bellacasa disse que o termo "pirataria editorial" se aplica a "uma indústria paralela" que reproduz integralmente um livro em edição fac-símile, incluindo suas capas, mas os editores também usam esse termo para as cópias de material protegido. Essa "indústria paralela" acontece muito na América Latina, mas não na Espanha, onde os prejuízos das editoras são causados pelas cópias.

As editoras mostraram hoje alguns exemplares de livros pirateados, que são tão bem produzidos que ficam muito parecidos com os originais. E estabeleceram uma série de acordos para combater esse fenômeno, entre eles recorrer aos chefes de governo aproveitando a próxima cúpula de chefes de Estado latino-americanos.

Mas a pirataria tradicional pode ficar pequena diante da que existe na internet: na Espanha se localizou um servidor que oferecia 2.435 títulos em CD-ROM e no México outro que vendia por apenas US$ 45 todos os livros de Engenharia Química.

Alguns desses servidores começam com uma oferta de cerca de mil livros e vão aumentando semanalmente com aproximadamente 100 ou 200, e é difícil combatê-los porque estão em outros países. A pirataria de livros, segundo Ana Cabanellas, presidente da União Internacional de Editores (UIE), não se limita à literatura "mas também abrange dicionários e livros de texto tanto em espanhol e inglês".

Cabanellas disse que existe "uma cultura da cópia" desde o maternal, que depois continua e é a causa "de os alunos não irem a uma livraria". Cabanellas disse que os piratas podem ser "qualquer pessoa" e assinalou que já existem piratas que pirateiam piratas: "Há CD-ROM vendido a 6 dólares, mas os estudantes copiam e vendem por apenas 1 dólar".

Ana María Cabanlleas, além das medidas legais, propôs uma cultura de relação com o livro que deve fazer parte da educação de todos os ciclos do ensino.
 

EFE

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