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A febre dos "gravadores de vídeo pessoais", sobretudo do Tivo, nos Estados Unidos, e o crescimento da adoção do RSS dão indícios de como o usuário vai ter acesso a conteúdo e serviços nos próximos anos. A idéia não chega a ser nova: entregar as informações de forma personalizada, e na hora que a pessoa desejar ter acesso a elas. As últimas movimentações - leia-se aquisições - de empresas como Yahoo, Google e Microsoft confirmam que essa disputa está ficando cada vez mais evidente.
Para quem não conhece, o Tivo é um aparelho equipado com disco rígido que permite ao usuário gravar programas de TV e assistí-los na hora que desejar. Ou seja, torna possível montar a própria programação. O Tivo não é o único do gênero - a Sky, por exemplo, já oferece um aparelho similar no Brasil -, mas é o que chamou a atenção para o desejo dos usuários de ter o controle do conteúdo.
O RSS, por sua vez, um formato de arquivo que traz um sumário das últimas atualizações de sites e blogs. Por meio de softwares ou serviços online chamados de "leitores de RSS", é possível conferir as novidades de dezenas de endereços de maneira simples e rápida. Alguns desses programas trazem filtragens por palavras-chaves, permitindo que o conteúdo já chegue de forma mais personalizada para o usuário.
Quando falamos em "últimas atualizações de sites e blogs", logo pensamos em notícias. Mas não é apenas isso: especialistas apontam que a junção de RSS com streaming de áudio e vídeo é um negócio promissor. Informalmente, programadores já estão trabalhando nessa tendência por meio da união entre RSS e BitTorrent (sistema de compartilhamento e download de arquivos já tratado nesta coluna e utilizado principalmente para distribuição de conteúdo multimídia). Como isso vem sendo chamado? "O Tivo da Internet". A Reuters, no entanto, já está oferecendo RSS de seu conteúdo multimídia, e uma empresa chamada FeedRoom investe pesado no formato.
Não podemos esquecer que o combate ao spam é a principal e mais urgente tentativa de filtragem de conteúdo - o próprio RSS é considerado uma forma de combatê-lo, já que seria uma alternativa aos boletins. Há algumas semanas, o Yahoo adquiriu o interessante OddPost com o propósito de incrementar o seu próprio webmail, inclusive com leitor de RSS e outros recursos. A Microsoft fechou uma parceria exclusiva com a Moreover para explorar o RSS no MSN Newsboot, um site de notícias gerado automaticamente, a exemplo do Google News.
Busca total
As ferramentas de busca também irão seguir a tendência de entrega personalizada de conteúdo. Hoje, você digita uma palavra-chave no Google e recebe uma lista de endereços Web. Dentro de pouco tempo, digitará a mesma palavra e terá acesso a páginas Web, endereços de e-mail, contatos (inclusive para acesso imediato por meio de mensageiros instantâneos ou VoIP), notícias via RSS, documentos, fotos e outros elementos relacionados com aquele termo, dentro do computador ou na Internet. E tudo mastigado em uma interface a partir da qual o usuário possa ter acesso rápido a todas as informações desejadas.
O próprio Google já anunciou que pretende invadir o Windows com uma ferramenta de busca interna. Talvez não tenha relação, mas a empresa anunciou, recentemente, a aquisição do Picasa, um robusto software de indexação de imagens - que era shareware, mas já está sendo oferecido gratuitamente. A Microsoft respondeu com a compra da Lookout, empresa responsável por uma ferramenta de busca de e-mails considerada revolucionária. O produto, no entanto, foi retirado do ar imediatamente.
Toda essa movimentação mostra como as empresas estão se armando para entregar conteúdo e serviços de bandeja para o usuário. É provável, inclusive, que encontremos em breve um software capaz de agregar todos os elementos citados neste artigo. O conceito aproximado já existe e está sendo chamado de "microcontent client". Leia mais no endereço www.anildash.com/magazine/2002/11/introducing_the.html.
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