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Nunca acreditei muito em leilões on-line. Não apenas eu, mas a maioria dos internautas. Em 2000 tínhamos cinco sites de leilões on-line em atividade no Brasil e hoje apenas um. Precisa dizer mais? Ou seja, definitivamente os leilões on-line não se popularizaram tanto entre os internautas como esperavam os investidores, sendo mais utilizados em transações entre empresas (B2B), trazendo redução significativa de custos ao reunir compradores e fornecedores em um mesmo marketplace.
A razão do meu descontentamento com os leilões vinha principalmente da decepção que tive ao tentar vender uma geladeira num destes serviços. Isso mesmo, uma geladeira. Comecei com um valor bem baixo, R$ 70, por exemplo, e fiquei esperando os lances, que nunca aconteceram. Minha geladeira continua na cozinha.
No mês passado, uma nova experiência com os leilões on-line fez com que minha opinião mudasse. Decidi que iria vender algumas tralhas tecnológicas, entre elas um videogame Playstation 1, um celular Nokia, um Palm Zire e um carregador para Palm III.
Além de ocupar espaço no meu minúsculo apartamento, todos estes produtos sem uso estavam se desvalorizando e possivelmente deixariam de funcionar em breve. Em princípio pensei que existiriam dois lugares óbvios na Internet que poderiam me ajudar a vender estes produtos: os classificados e os leilões on-line
Tentei os dois ao mesmo tempo. De cara descobri que os leilões têm uma mecânica bem parecida com a dos classificados: é preciso fixar o preço do produto, e não a oferta mínima, como é natural em um leilão.
Mas as semelhanças entre os leilões e os classificados acabam aí. Enquanto nos classificados anunciamos para alguém desconhecido, de quem normalmente não temos acesso a nenhum histórico de transação anterior. Nos leilões, se não conhecemos intimamente o comprador ou o vendedor, sabemos para quem ele já vendeu e qual a avaliação de outros compradores sobre suas transações passadas. Ou seja, é um classificado onde conseguimos ver a reputação do vendedor.
Ao longo do tempo, vendedores e compradores vão sendo avaliados e ganham uma reputação na comunidade on-line formada por compradores e vendedores. No Mercado Livre, por exemplo, existe uma comunidade apenas para os vendedores melhor qualificados quanto a sua reputação.
Um usuário experiente ou iniciante se sentirá rapidamente fazendo parte desta comunidade e passará com o tempo a reconhecer estes seus participantes mais facilmente.
Há pouco de leilão e muito de marketplace no Mercado Livre. Observei isso não apenas em relação aos produtos que estava vendendo, todos com preço fixo, mas em relação aos produtos vendidos por outros usuários. Realmente o brasileiro não está acostumado com a mecânica dos leilões, baseada em lances. Acho que leilão no Brasil é algo apenas para empresários que precisam arrematar ativos de uma empresa ou órgão público ou para colecionadores.
Por sua vez os Classificados on-line, como cópias digitais dos classificados impressos, não souberam aproveitar as potencialidades da Internet, principalmente em relação à criação de comunidades on-line. Em geral, nos Classificados on-line há pouco o que se fazer além de ver os produtos e o contato do vendedor.
Não se pode, por exemplo, participar de um fórum com suas dúvidas e de outros interessados no produto. Além disso, os leilões possibilitam ao comprador concretizar sua transação, o que é impossível fazer através dos classificados.
Ou seja, enquanto o negócio dos leilões on-line é intermediar a relação entre os compradores e vendedores, a dos classificados é vender seu espaço, alguns centímetros de mídia de massa para quem quer vender, comprar ou alugar alguma coisa.
Não sei se o futuro dos classificados é ser um leilão on-line, onde as empresas irão em vez de cobrar anúncio, ter um potencial de participação sobre a venda dos produtos. Uma coisa é certa, se a idéia é migrar os classificados para a Internet, reproduzi-los da mesma forma como eles existem no papel é desperdiçar as potencialidades da Internet.
Para terminar este artigo, é bom que se diga que vendi todos os meus produtos através de um leilão on-line. Já os classificados... anunciei duas vezes e nada.
Placar até o momento: 1 x 0 para os Leilões On-line.
* Alessandro Barbosa Lima é consultor de Marketing On-line e autor do livro E-LIFE - Idéias Vencedoras para Marketing e Promoção na Web. Saiba mais sobre o autor, o livro e sobre seu trabalho de consultoria ou solicite palestras em sua empresa acessando www.elife.com.br ou enviando um e-mail para albali@elife.com.br
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