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2004 é o aniversário de 20 anos de 1984, livro de George Orwell que conta a história de uma sociedade inteiramente vigiada por uma forma suprema, o Grande Irmão, que a tudo vê e a tudo monitora, incluindo os pensamentos dos cidadãos.
1984 foi publicado por Orwell em 1949, mas o mundo pensado pelo inglês é visível apenas hoje, exatamente 20 anos depois. Nossa sociedade encontra-se cada vez mais vigiada e monitorada. Qualquer cidadão que use a tecnologia está, sem prestar muita atenção, sendo observado. Em seu computador, na rua, no elevador, na balado do fim de semana, em qualquer lugar ao alcance da tecnologia. Todos os passos, todas as operações, tudo está sendo monitorado graças à Tecnologia da Informação e à própria Internet. A segurança é uma das razões para esta monitoração. Mas na prática, a Tecnologia da Informação, e a Internet, estão decretando o fim da nossa privacidade.
E não falo das câmeras, há muito presentes no nosso dia a dia. Falo de novas tecnologias que se incorporaram e estão se incorporando ao nosso cotidiano sem prestarmos muita atenção. Eis algumas delas:
RFID é a sigla em inglês para "identificação via radiofreqüência". RFID é uma tecnologia que incorpora a radiofreqüência para identificar um objeto ou uma pessoa. Aos poucos o RFID, incorporado a uma etiqueta irá aparecer em diversos produtos, das prateleiras dos supermercados às lojas de roupas. O Wal Mart, nos EUA, será o primeiro grupo a implantar o RFID. E a pequena etiqueta monitorada por radiofreqüência irá substituir o código de barra com uma vantagem: com o RFID não é preciso ter um leitor apontado para o objeto. Basta que o objeto seja manipulado para que seja possível identificar sua origem ou suas coordenadas.
Na prática, com o RFID será possível um varejista como o Pão de Açúcar, por exemplo, saber que produtos você colocou no carrinho de compras, tendo ou não você o cartão de fidelidade do grupo. Além do mais, será possível ao varejista monitorar que produtos você escolheu na prateleira, se colocou o produto de volta no seu lugar e se pegou um outro produto, por exemplo. Se por um lado passar no caixa para pagar suas compras será coisa do passado (pois ao colocar o produto no carrinho de compras ele já pode ser debitado), por outro, nossos passos serão cada vez mais monitorados no ponto de venda e até fora dele. Existem projetos de utilização de RFID de alta potência que poderão localizar os produtos mesmo na casa dos consumidores, principalmente se você morar próximo ao supermercado. Será que precisaremos de bloqueadores domésticos de radiofreqüência para impedir esta invasão de privacidade? Só o futuro dirá.
Por enquanto, brincar de redes sociais em sites como Orkut e LinkedIn é uma grande festa. É muito interessante monitorar nossas redes sociais com a ajuda da Tecnologia da Informação e expor estas redes para a própria rede de amigos. Não há nada de novo nisso, já que o Outlook, por exemplo, também cria um mapa da nossa Lista de Contatos que se ligam à Lista de Contatos de outras pessoas, também formando uma rede social.
A diferença agora é que podemos também ver a Lista de Contatos dos nossos amigos. E a invasão de privacidade é tamanha que no Orkut, por exemplo, podemos criar um mapa de quem está saindo com quem. Basta procurar na rede dos nossos amigos e dos amigos dos amigos quem está, por exemplo, buscando relacionamentos. No Orkut, mesmo que o usuário opte por não revelar suas preferências sexuais para o grande grupo, apenas para os amigos mais próximos, uma simples busca revela a preferência sexual de toda a sua rede de contatos. Ou seja, se você não quer se expor, evite dar muitos detalhes no seu perfil do Orkut.
Quem assistiu ao primeiro filme As Panteras lembra quando as heroínas entram num cofre apenas usando moldes da íris e da impressão digital de dois executivos. A senha para entrar naquela sala eram os próprios executivos e não uma senha comum. A Biométrica é uma das formas mais modernas de reconhecimento de indivíduos. Através da Biométrica os indivíduos deixam de ser reconhecidos pelo que sabem para serem reconhecidos pelo que são. Ou seja, trocam-se senhas e outros artefatos para acesso a redes, sites ou mesmo a documentos pela mensuração biológica do indivíduo
Ou seja, como cada indivíduo tem características pessoais distintas, como impressão digital, íris ocular ou mesmo a voz, os sistemas biométricos utilizam padrões para diferenciar um indivíduo do outro e fazer seu reconhecimento.
A ameaça à privacidade na Biométrica está justamente no fato de que, com o desenvolvimento destes sistemas, uma simples câmera poderá tirar fotos em altíssima resolução de transeuntes e identificar estas pessoas apenas pela sua íris, ou pela sua voz.
Algumas empresas já testam protótipos, principalmente no exterior, de serviços de vigilância baseados na Biométrica. Uma foto de uma multidão, por exemplo, ampliada milhões de vezes e processada biometricamente, poderá rapidamente identificar todos os indivíduos.
Os especialistas da área argumentam que o cidadão comum, sem ficha na polícia, não sofrerá nenhuma conseqüência desta invasão de privacidade da Biométrica. Mas sempre fica a dúvida: será?
A popularização das câmeras digitais e dos celulares equipados com câmeras trouxe mais uma ameaça à nossa privacidade. Hoje, é impossível irmos a uma balada ou estarmos em qualquer lugar público sem que um flash acenda ao nosso redor. Parecem que todos viraram paparazzi, aqueles fotógrafos de celebridades.
Segundo o editorial da revista Wired de julho, as câmeras digitais são o novo Big Brother imaginado por George Orwell, só que ao contrário. Ao invés do Governo ou do Grande Irmão nos vigiar, nós, o povo, equipados com câmeras digitais cada vez menores, é que estamos monitorando o Grande Irmão. A revista fala das fotos da prisão de Abu Ghraib, que foram tiradas pelos próprios soldados americanos enquanto estes torturavam presos iraquianos. E que, divulgadas por acidente, comprometeram não apenas o exército, mas o Governo Bush.
Se o exército americano não está imune a esta invasão de privacidade, imaginem nós, pobres mortais. Cuidado com o que você faz, pois sempre há uma câmera digital por perto.
Spyware são pequenos programas (software) que foram criados para espionar (spy) o seu computador. Que sites você visita, em que você clica, e até dados como senhas e números de cartões de créditos são recolhidos pelos spywares. A praga vem crescendo este ano e a indústria aprende a se defender, através de diversos softwares que podem remover estes spywares. Alguns programas gratuitos, distribuídos na Internet, trazem no pacote diversos spywares. Cuidado ao instalar!
* Alessandro Barbosa Lima é consultor de Marketing On-line e autor do livro E-LIFE - Idéias Vencedoras para Marketing e Promoção na Web. Saiba mais sobre o autor, o livro e sobre seu trabalho de consultoria ou solicite palestras em sua empresa acessando www.elife.com.br ou enviando um e-mail para albali@elife.com.br
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