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Eleições 2004: disputa pela atenção do internauta
 
Alessandro Barbosa Lima*
 
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A partir de 6 de julho os candidatos a prefeito e vereadores de 5.565 municípios em todo o Brasil já podem começar a fazer propaganda eleitoral para as Eleições 2004. Em mais uma disputa eleitoral teremos plataformas, propostas e desavenças sendo discutidas em rede de rádio, televisão e Internet.

Definitivamente a rede de computadores se tornou um espaço disputado por candidatos que querem ganhar votos. Os números ajudam: segundo a última pesquisa IBOPE/NetRatings, 28 milhões de internautas com mais de 16 anos já utilizaram a Internet pelo menos uma vez. Ou seja, 26% do eleitorado brasileiro já acessa a rede. Esta participação, que é crescente, pode ser decisiva na reta final para a vitória.

Sabendo disso, empresas de marketing on-line já estão apresentando sua "plataforma" publicitária para as eleições este ano. Vai ter de tudo: banners de todos os tamanhos, listas de discussão e sites personalizados, blogs, fotoblogs e e-mail marketing.

As palavras patrocinadas, uma das novidades da publicidade on-line, e que cresceram 20% no último ano, não serão usadas para promover as campanhas on-line. A possibilidade de comprar uma palavra ou expressão, como "eleições" ou "prefeito" por um único candidato exclui o direito dos demais, e por isso a legislação eleitoral impede a utilização desta forma de promoção on-line.

Se você é candidato a prefeito ou vereador, a Internet pode ser usada intensamente pelo seu partido ou pela sua candidatura para estimular o relacionamento com o eleitor. Mas atenção: antes do dia 6 de julho, segundo a especialista em Direito, Patrícia Peck, está proibida qualquer propaganda tanto na mídia tradicional quanto na Internet. Em recente seminário de Marketing Político On-line, patrocinado pelo Yahoo! e pelo I-Group, Peck citou a resolução 21.610, que deixa claro, em seu artigo 3º, que o candidato pode usar a Internet antes do dia 6 de julho apenas para falar de si próprio e não da campanha.

Ou seja, o candidato pode falar da sua história, em um chat com os eleitores ou numa página pessoal, desde que "nela não haja pedido de votos, menção ao número do candidato ou ao de seu partido ou qualquer outra referência à eleição"

Além de respeitar o prazo para dar início a propaganda eleitoral, o candidato ainda precisa ter alguns cuidados para utilizar a Internet em sua campanha. Entre eles, destacamos:

Se o candidato quiser ter um site próprio com propaganda eleitoral poderá tê-lo a partir do dia 6 de julho de 2004. Antes de criar o site, o candidato precisa registrar um domínio para que o eleitor encontre-o. Os domínios devem ter o formato www.nomedocandidato-numerodocandidato.can.br ou www.nomedocandidatonumerodocandidato.can.br. O endereço de domínio do candidato precisa ser obtido no site Registro.Br.

Depois de registrar o domínio do seu site, o candidato precisar criar um site. Neste caso as opções são inúmeras. O candidato pode criar desde um site simples, apenas com dados sobre sua candidatura ou propostas políticas, até um site que use todas as ferramentas de interação que a Internet oferece. Em todo caso, o candidato deve estabelecer quais os seus objetivos com o site e sempre mensurar os resultados. De forma geral, é aconselhável que o candidato promova seu site em um portal e crie alguma forma de cadastrar os internautas que o visitarem. Um cadastro simples, com nome e e-mail, já é suficiente.

O candidato deve saber que na Internet a Propaganda funciona de uma forma um pouco diferente. Enquanto na propaganda tradicional posso enviar um "santinho" ou um folder para qualquer mailing de eleitores, na Internet não posso sair enviando e-mails sem o consentimento prévio do internauta que irá recebê-lo. Esta política é chamada de Marketing de Permissão e para saber como funciona o envio de e-mails na Internet é bom dar uma olhada com calma na legislação que pode ser encontrada no site do BrasilAntiSpam.

A mesma regra vale para fóruns on-line. O candidato jamais deve sair enviando propaganda não-solicitada para listas de discussão e outros lugares onde os internautas estejam se relacionando. De forma geral, vale o bom senso. O candidato não deve se aventurar a usar recursos na Internet que ele não conhece para distribuir propaganda.

A melhor aposta é no relacionamento. Por exemplo: o candidato pode criar uma comunidade on-line para discutir com seus eleitores suas idéias e mesmo para recolher idéias para sua candidatura. O candidato pode manter nesta mesma comunidade sua agenda política e organizar bate-papos com seus eleitores.

Outra ferramenta bastante útil são os comunicadores instantâneos, como ICQ, Messenger e o Comunicador do Terra, o Terra Messenger. Cada candidato pode disponibilizar seu endereço no comunicador instantâneo e estabelecer horários para conversas com os internautas. Outra utilização é cadastrar cabos eleitorais representativos de parcelas do eleitorado, como mulheres, empresários, gays etc e divulgar os comunicadores instantâneos deles no site da campanha. Desta forma, o eleitor poderá debater com alguém que represente o candidato as principais propostas da campanha, de acordo com seu perfil ou interesses. As mulheres, por exemplo, podem conversar em horários pré-determinados com o cabo-eleitoral representante das mulheres através de um comunicador instantâneo.

A última moda da Internet são as redes sociais. Sites como Orkut, LinkedIn e Recomendado (é o único em português) estão mapeando nossas redes de relacionamento com as mais diversas finalidades, como encontrar emprego, namorar ou mesmo fazer negócios. Para o candidato, ter sua rede de relacionamento mapeada, pode trazer mais confiabilidade aos eleitores, que podem descobrir a quantos graus de separação estão do futuro prefeito ou vereador da sua cidade. Por outro lado, as redes sociais devem ser usadas com cautela. Nestes tempos de CPI, o candidato precisa ter cuidado antes de incluir o assessor menos confiável na sua rede de relacionamentos, pois ela estará visível a todos os eleitores.

Enfim, as possibilidades são muitas, mas não esqueçam que a propaganda on-line para valer só pode começar depois do dia 6 de julho. Até a próxima coluna.

* Alessandro Barbosa Lima é consultor de Marketing On-line e autor do livro E-LIFE - Idéias Vencedoras para Marketing e Promoção na Web. Saiba mais sobre o autor, o livro e sobre seu trabalho de consultoria ou solicite palestras em sua empresa acessando www.elife.com.br ou enviando um e-mail para albali@elife.com.br
 

Redação Terra