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A saga dos patches e recalls
 
Alessandro Barbosa Lima*
 
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A indústria de software criou uma equação esquisita para seus produtos. Ao comprar um software, saímos da loja já esperando pelas futuras atualizações e correções, os famosos patches. Ou seja, sabemos e pagamos por um produto que não está terminado e provavelmente tem várias falhas de segurança, que serão descobertas e corrigidas depois.

A tática de lançar produtos semi-acabados e corrigi-los depois teve seu auge com os pacotes de software para computadores pessoais, onde a Microsoft é a maior representante do mercado.

E atualização do sistema operacional Windows e dos aplicativos do pacote Office já entrou no calendário do setor de TI das empresas e mesmo dos usuários domésticos. Toda segunda terça-feira de cada mês fica disponível o pacote de correções da Microsoft no site Windows Update que, de tão necessário, ganhou até um atalho direto no menu Iniciar.

O problema ocorre quando toda a indústria de bens de consumo passa a adotar a tática de lançar produtos antes dos devidos testes para corrigi-los depois. Imagine sua cafeteira, seu tênis e mesmo sua máquina de lavar solicitando a atualização de seus patches? Por mais esquisito que pareça, isso é o que atualmente acontece com a a indústria automobilística e seus famosos recalls.

O código de Defesa do Consumidor assegura ao mesmo o direito à informação sobre produtos que são lançados com defeito no mercado, além de assegurar que o consumidor deve ser comunicado imediatamente sobre o produto defeituoso. Como afirma o código, "uma vez que o fornecedor verifique essa condição após sua colocação no mercado, este deverá imediatamente apresentar todas as informações cabíveis acerca dos problemas identificados".

Preocupadas, as montadoras lançam seus recalls para corrigirem erros que já "vêm de fábrica" com o produto. Só este ano foram mais de 80 automóveis convocados.

O problema dos patches na indústria automobilística é que eles podem causar sérios problemas de segurança, e mesmo mortes - algumas foram reportadas nos EUA nos últimos anos.

Além disso, levar o carro novo numa concessionária inúmeras vezes para corrigir pequenos problemas não é algo muito estimulante para o consumidor. Comprei um Chevrolet Meriva novo e já tive que levá-lo para corrigir pequenos problemas como barulho no banco, barulho na suspensão e outros defeitos mais de dez vezes. Sem contar uma das vezes na qual o carro literalmente quebrou na rua.

Infelizmente, ainda não dá para corrigir os defeitos do meu carro clicando num botão Update no painel, como faço com meu sistema operacional. Por conta disso, preciso perder dias de trabalho, gastar horas valiosas e ter que buscar um outro meio de transporte.

Ou seja, a lógica "lançar agora, corrigir os problemas depois", adotada com sucesso pela indústria de software, se for seguida pelas outras indústrias, que não comercializam bits mas átomos, poderá deixar furiosos os consumidores menos pacientes do que eu.

* Alessandro Barbosa Lima é consultor de Marketing On-line e autor do livro E-LIFE - Idéias Vencedoras para Marketing e Promoção na Web. Saiba mais sobre o autor, o livro e sobre seu trabalho de consultoria ou solicite palestras em sua empresa acessando www.elife.com.br ou enviando um e-mail para albali@elife.com.br
 

Redação Terra