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Diga-me teus links e te direi quem és
 
Alessandro Barbosa Lima*
 
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Você colocaria um link no seu site pessoal ou blog para o site de alguém que você não gosta? Provavelmente não. Colocar um link é uma forma de dizer "eu gosto disso" na Internet. Em junho de 2000, Cass Sustein, professor de Direito da Universidade de Chicago, concluiu através de uma pesquisa em 60 sites políticos que apenas 15% deles tinham links para sites com idéias contrárias. Por outro lado, 60% tinham links para sites com o mesmo pensamento político.

Será que o simples ato de linkar o site de uma empresa ou de uma pessoa (através do seu blog ou site pessoal) é uma forma de endossar as idéias daquela empresa ou pessoa? O professor Sustein acha que sim. E diz mais: ao não linkar sites contrários às nossas idéias, reforçamos a segregação on-line. Os sites não-linkados geralmente pouco interessam e são como ilhas na Internet, segregados de todo o resto.

Ao não linkar sites com idéias contrárias criamos comunidades on-lines de sites que se referenciam uns aos outros com links. E normalmente as idéias de sites que se linkam são bem similares. Em sites pessoais, por exemplo, não é de se espantar que os donos também sejam da mesma cidade, classe social e idade. O blogueiro Fabrício, 23 anos, por exemplo, escreve um apimentado blog sobre a vida gay numa cidade grande. Os 15 links do seu blog, chamado "Gozando a Vida", apontam em sua grande maioria para sites de conteúdo homoerótico. Já o site da carioca Giovana Ferrari traz links para diversos outros sites pessoais ou blogs de cariocas.

Poderíamos adaptar aquela velha máxima, "Diga-me com quem andas, e te direi quem és" para "Diga-me teus links, e te direi quem és". Mas quais as conseqüências deste comportamento na Internet?

Com base na análise dos mapas de links da Internet será possível, num futuro próximo, identificar pequenas comunidades on-line de pessoas que gostam de computadores Apple ou de fãs de Roberto Carlos. E nestas comunidades os marqueteiros poderão identificar os prováveis formadores de opinião, ou aquelas pessoas que têm o maior número de links de outros sites apontados para elas.

Lada Adamic, da Stanford University, descobriu numa pesquisa recente que as páginas de grupos contra o aborto são mais linkadas umas com as outras do que as páginas pró-aborto. Ou seja, a comunidade pró-aborto é mais fragmentada do que a comunidade que é contra o aborto, onde se pode navegar através de todos os sites apenas seguindo os links.

Através do estudo das redes e dos links, com a ajuda de tecnologia de ponta, será possível realizar sofisticados estudos sociais e de relacionamento, estudar os possíveis hábitos de consumo e de comunicação entre grupos on-line, e mesmo analisar o comportamento sexual de grupos de pessoas que trocam links umas com as outras em comunidades de busca de parceiros.

E os seus links, o que dizem de você?

Amigo leitor, se você estiver em São Paulo na próxima semana, não esqueça de passar na minha palestra. Será na terça-feira, dia 18, às 21h, na Universidade Anhembi Morumbi (São Paulo) Campus Centro. O tema: As redes sociais e suas aplicações em estratégias de Comunicação e Marketing.

As vagas são reduzidas. Apareça para conversarmos e tomarmos um café. Antes, inscreva-se em www.semanaweb.com.br/base.php?id=inscricao. Espero você!

* Alessandro Barbosa Lima é consultor de Marketing On-line e autor do livro E-LIFE - Idéias Vencedoras para Marketing e Promoção na Web. Saiba mais sobre o autor, o livro e sobre seu trabalho de consultoria ou solicite palestras em sua empresa acessando www.elife.com.br ou enviando um e-mail para albali@elife.com.br
 

Redação Terra