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Domingo, 2 de maio de 2004, 19h06 
Especialista teme pandemia do vírus Sasser
 
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O especialista russo do Laboratório Kasperski Denis Zenkin teme uma pandemia do vírus Sasser, que surgiu ontem, devido às características deste "worm", cuja velocidade de propagação poderá se multiplicar amanhã, quando a população voltará ao trabalho.

"A particularidade deste vírus é que, para se propagar, ele precisa apenas que o arquivo infectado esteja ativado (pelo usuário), o que torna sua propagação muito mais rápida que a dos worms clássicos", explicou Zenkin. Os computadores dos colaboradores do Laboratório foram infectados.

O ataque do vírus Sasser é o terceiro no ano, depois do Mydoom.A, em janeiro, e do Bagle.B, em fevereiro. A agência internacional de notícias France Presse (AFP) foi vítima do Sasser, que prejudicou suas comunicações por satélite entre as 13h20min e as 18h45min (horário de Brasília). A agência tomou uma série de medidas para interromper o ataque e oferecer aos clientes outras formas de recepção de seu material, como a Internet.

O Sasser aproveitou uma falha apontada no último dia 14 pela Microsoft em várias versões do Windows, mas teve até o momento uma propagação limitada, segundo um executivo da gigante da informática. "Parece exagerado dizer que milhões de computadores foram infectados", indicou o diretor-técnico da Microsoft France Bernard Ourghanlian.

O diretor admitiu que, após um início bastante lento ontem, o vírus, que pode afetar um computador diretamente se ele estiver conectado à Internet, e não através do correio eletrônico, propagou-se rapidamente hoje.

A firma finlandesa F-Secure, especializada em segurança na Internet, alerta desde ontem à noite para a rapidez de propagação do vírus, que, segundo a própria, já pode ter infectado milhões de computadores em todo o mundo. "Estamos registrando vários ataques por minuto nas máquinas desprotegidas conectadas à rede para vigiar a atividade viral", destacou Ourghanlian, acrescentando que a França, como vários países do sudeste asiático, parecia especialmente afetada. "Temos esperança de que a propagação deste vírus seja limitada, graças às medidas de precaução tomadas (...) É impossível determinar a extensão do vírus ou o tamanho do prejuízo que terá causado", disse, acrescentando que "muitas empresas nunca confessam que foram infectadas".

O site da editora norte-americana de antivírus Symantec falava em um número reduzido de computadores infectados: entre 50 e 999 ontem e entre 0 e 49 esta tarde.

A cada semana, surgem dezenas de vírus criados por hackers com o objetivo de denunciar falhas no sistemas, e por profissionais que lucram com seus ataques, revendendo, por exemplo, listas de computadores infectados a sociedades especializadas no envio de spam. A versão B do vírus Sasser afetava hoje 3,17% dos computadores mundiais, segundo uma pesquisa feita pela empresa especializada em antivírus Panda Software.

De acordo com a empresa, o nível de alerta do vírus está na cor laranja e ele afeta 3,17% dos estimados 600 milhões de computadores do planeta. O site da Panda indica que os cinco países mais infectados são Honduras, Emirados Árabes Unidos, Panamá, Estônia e Taiwan.

Segundo uma pesquisa da Symantec, publicada em seu site, a expansão geográfica de propagação do vírus é média. A empresa destaca que o novo vírus não causa danos aos sistemas de informática, apenas atrasa a execução das ordens dadas aos computadores.

Até agora não foi possível contactar representantes da Microsoft nos Estados Unidos, país que parece ter ficado imune à epidemia detectada ontem.

O Sasser foi observado pela primeira vez às 21h de sexta-feira, quando infectou computadores que usavam determinadas versões do Windows e ainda não haviam instalado o último patch de segurança disponibilizado pela Microsoft, capaz de impedir a propagação do vírus, segundo especialistas.

O vírus utiliza uma falha nos sistemas operacionais Windows 2000, Windows Server 2003 e Windows XP. A Microsoft anunciou pela primeira vez a falha no último dia 13 e disponibilizou o patch, ou corretor, adequado.

Informações sobre como eliminar o Sasser podem ser encontradas no seguinte endereço: securityresponse.symantec.com.
 

AFP

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