|
A privacidade na Internet é um assunto já tão desgastado que ninguém praticamente toca no assunto. Aprendemos a conviver com os cookies, aqueles pequenos arquivos que são infiltrados em nossas máquinas ao visitarmos determinado site ou ao vermos um banner qualquer. Os cookies ajudam as empresas a monitorarem nosso comportamento.
Em geral, os cookies são legais, ou seja, a não há impedimentos para sua utilização. Os usuários sabem que são monitorados pelos cookies e podem impedir este monitoramento através de uma simples opção no seu Internet Explorer, além de poderem apagar os cookies já existentes. Sem falar nas Políticas de Privacidade da maioria dos sites que avisam que os cookies são usados. A Política de Privacidade é aquele link obscuro que fica lá no pé da página em fonte corpo 8.
Já os spywares, que já foram assunto aqui no canal Informática, são mais invasivos. É mais complicado apagá-los além do mais eles podem ser nocivos, desconfigurando sua máquina e até roubando dados preciosos sobre seus hábitos como internauta.
Porém cookies e spywares não são nada perto de uma ameaça ainda maior que virá com o mapeamento das redes sociais pela Tecnologia, um tema constante das minhas colunas.
E esta ameaça poderá vir através de ações de Marketing cada vez mais intrusivas.
Segundo Kotler, o papa do Marketing, a Comunicação Boca a Boca, aquela que ocorre entre indivíduos, geralmente através de conversas sobre produtos e serviços consumidos, é iniciada por "formadores de opinião ou empresas e pessoas influentes". Segundo o autor, as empresas devem iniciar a Comunicação Boca a Boca estimulando seus canais de influência pessoal.
A Comunicação Boca a Boca tradicional desconhece - de forma precisa - os caminhos que os diálogos sobre marcas, produtos ou serviços percorrem na comunicação interpessoal, bem como os responsáveis pela disseminação deste tipo de Comunicação, na Internet ou fora dela. A divulgação de informações está focada num formador de opinião, que tem o papel de divulgar as mensagens para sua rede de contatos. A definição do formador de opinião é realizada unicamente por características arbitrárias, ligadas à popularidade entre grupos sociais.
Em geral, caros leitores, vocês já notaram que os formadores de opinião são justamente artistas e apresentadores de televisão como Jô Soares ou políticos como Marta Suplicy? Pois é, até então pessoas comuns como eu e você não éramos formadores de opinião. Isso é o que deixa a entender Kotler ao definir o formador de opinião.
Outro autor que estuda a Comunicação Boca a Boca, Emanuel Rosen, afirmou em seu livro "Marketing Boca a Boca" que os marqueteiros estão na escuridão, pois não poderão atingir os formadores de opinião que são pessoas comuns se não conhecem suas redes sociais e quem são os formadores de opinião destas redes.
Acontece que, como vimos aqui em colunas anteriores, as redes sociais estão cada vez mais transparentes. Primeiros os criadores de vírus descobriram que a nossa rede social representada na Lista de Contatos do Outlook poderia ser um ótimo meio para disseminar vírus informáticos. Hoje sabemos através de uma pesquisa da Universidade de Kiel, na Alemanha, que as pessoas que têm mais contatos na sua lista de contatos do Outlook são as responsáveis pela disseminação do vírus. As empresas já sabem disso e olham com cara feia para aquela secretária que tem a agenda da empresa no Outlook. Ela sempre é a culpada.
Depois disso todos os softwares e aplicações baseadas na Internet começaram a se interessar por nossos amigos. Tem até um comercial de TV que mostra um mascote de um comunicador instantâneo desesperado correndo atrás dos amigos de uma pessoa. Estranho, né? Os comunicadores instantâneos são as primeiras aplicações que começaram a mapear nossas redes sociais. Antes deles, os sites pessoais já faziam isso. Ao linkar para um site de um amigo ou de alguém que eu conheça estou ligando os pontos das minhas redes sociais. Observem os blogs. A maioria têm links apontados para outros blogs.
Agora o novo fenômeno são as redes sociais "transparentes", representadas por softwares como o Linkedin e o Orkut. Se no caso dos comunicadores instantâneos apenas as empresas sabiam com quantas pessoas conversávamos (e até sobre o que conversávamos), agora nós também temos acesso a nossa rede e a dos outros através do Orkut e Linkedin.
Lá eu posso observar na prática uma lei universal: as pessoas com maior número de contatos são minoria. Assim, como os formadores de opinião de Kotler, porém lá não vamos encontrar Jô Soares ou Marta Suplicy, mas profissionais e pessoas comuns como o engenheiro de software Edney (www.interney.net), que tem 1,670 outros sites apontados para seu blog. Para você terem uma idéia deste número, em geral, a maioria dos sites não possui mais do que 5 links os referendando. E sites como Sadia têm apenas cerca de 200 links apontados para ele.
E onde está a ameaça à privacidade. Infelizmente, ao contrário do que afirmou Emanuel Rosen, os marqueteiros em poucos anos não estarão mais na escuridão do Marketing para criarem ações de Comunicação Boca a Boca intrusivas. Hoje a Microsoft poderia perfeitamente identificar pessoas que: 1) Têm mais contatos no MSN Messenger e 2) Falam periodicamente com a maioria destes contatos.
Se estas pessoas mais conectadas são potencialmente formadores de opinião, por que as empresas não poderiam tentar gerar boca a boca sobre seus produtos através delas?
Agora vamos imaginar que as empresas comecem realmente a fazer isso. Os formadores de opinião, os mais conectados, os mais linkados não terão mais sossego. Serão beneciados com amostras grátis de produtos, pacotes de viagens, celulares, roupas e vários outros lançamentos de produtos e serviços. Isso tudo para incentivá-los simplesmente a fazer o que eles fazem de melhor: falar com seus amigos, com suas redes de contatos e falar sobre estes produtos e serviços.
A invasão poderá ser tamanha que teremos saudades do inocente SPAM. Mais sobre o assunto no meu livro e neste evento aí embaixo.
No dia 18 de maio, às 21h, na Universidade Anhembi Morumbi (São Paulo) Campus Centro, estarei fazendo uma palestra sobre as Redes Sociais e suas aplicações em estratégias de Comunicação e Marketing. A palestra é gratuita mas as vagas são reduzidas. Inscreva-se já para garantir seu lugar. Inscreva-se aqui
Espero você.
3º Semana Web
Palestra As Redes Sociais na Internet: o impacto do mapeamento das nossas redes de relacionamento na comunicação on-line, com Alessandro Barbosa Lima.
Quando: 18/05/2004
Horário: 21h
Local: Universidade Anhembi Morumbi, Campus Centro
Mais informações: http://www.semanaweb.com.br/
* Alessandro Barbosa Lima é consultor de marketing em meios eletrônicos e autor do livro E-LIFE - Idéias Vencedoras para Marketing e Promoção na Web.
|