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Sua redes sociais dão o mapa do emprego na Web
 
*Alessandro Barbosa Lima
 
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O estudo das redes tem se tornado nos últimos anos um importante aliado para compreensão do mundo que nos cerca, além de estar sendo aplicado nas mais diversas áreas. Desde a criação de técnicas para vacinação de indivíduos, passando pelo estudo das redes sociais, até o estudo de técnicas para o combate ao SPAM.

O professor de Sociologia de Stanford, Mark Granovetter, demonstrou em 1973 que nossos laços de relacionamento mais fracos são mais eficientes quando temos que procurar emprego. Segundo o cientista, as pessoas estão ligadas às outras por laços fortes e laços fracos. Exemplo: somos normalmente ligados por laços fortes a nossos pais, filhos e amigos próximos. E por laços fracos a nossos colegas de trabalho, professores e alunos.

Em seu estudo Getting a Job (Conseguindo um Emprego), Granovetter entrevistou diversos trabalhadores do subúrbio Newton, em Boston, e descobriu que 56% dos trabalhadores entrevistados encontraram seu emprego através de um contato pessoal. Outros 18,8% usaram meios formais (anúncios, headhunters) e cerca de 20% responderam diretamente às ofertas de emprego. Ou seja, o melhor meio para conseguir um emprego é através de contatos pessoais. Mas o que Granovetter descobriu é que, entre os contatos pessoais, os laços mais fracos são melhores quando se trata de procurar emprego.

Entre todos que encontraram um emprego, apenas 16,7% o encontraram através de um amigo próximo e 55,6% através de um amigo que viam apenas ocasionalmente. E outros 28% viam seu contato raramente. A experiência de Granovetter demonstrou que as pessoas não estavam conseguindo o emprego através dos seus amigos mais próximos, mas através de contatos que viam raramente. Gravonetter propôs que para achar um emprego, saber das novidades, lançar um restaurante ou espalhar a última moda, nossos laços fracos são mais importantes que nossos relacionamentos fortes e que cultivamos.

Sabemos que na Internet os laços fracos prevalecem. Conhecemos pessoas em chats, trocamos informações em grupos de discussão da nossa área de trabalho, participamos de cursos on-line com outras pessoas, lemos e linkamos chats de desconhecidos, mas que gostamos. A maioria destas pessoas não são amigos próximos ou parentes, são laços fracos que vemos ocasionalmente ou nunca veremos.

O primeiro passo para conhecermos nossos laços fortes e fracos é mapear nossas redes sociais. E a Internet pode nos ajudar bastante nesta tarefa. Aos poucos as redes sociais vão sendo mapeadas através da Internet. Sejam elas redes de relacionamentos ou redes de negócios. Algumas aplicações podem nos ajudar nesta tarefa.

Uma destas aplicações, é o serviço LinkedIn, que usa aplicações de redes sociais na Internet para mapear as redes sociais de caráter profissional. O site recebeu recentemente 4,7 milhões de dólares da Sequoia Capital, o mesmo grupo de capital de risco que está por trás do Yahoo!, Google e PayPal, além do Plaxo, que também monitora as redes sociais através da Internet. O LinkedIn oferece aos seus usuários a possibilidade de mapear sua rede de contatos. Para isso, possui uma aplicação que permite copiar os contatos da lista de Contatos do Outlook e enviar um convite para cada um dos usuários.

Estes usuários, ao se cadastrarem no site e criarem seu próprio perfil poderão visualizar sua rede de contatos e buscar oportunidades de trabalho ou de emprego através desta rede. O LinkedIn mapeia quantos graus de separação existem entre cada um dos contatos. A partir do contato com apenas dois profissionais que conheço foi possível criar uma rede de 33,8 mil pessoas, sendo que cerca de 2,1 mil apenas no Brasil.

É possível entrar em contato com qualquer profissional da rede. Porém, os profissionais em todos os graus de separação irão participar deste contato. Ou seja, se for necessário entrar em contato com alguém da minha rede, terei que fazê-lo via os demais profissionais que me separam do meu contato final (Graus de Separação). O LinkedIn se inspira claramente nas idéias de Milgram, da Teoria Small World: cada contato é classificado a partir de graus de separação do usuário cadastrado. E na teoria dos Laços Fracos (The Strenght of Weak Ties) de Granovetter: através do LinkedIn é possível conhecer todos os laços fracos das nossas redes sociais e tentar encontrar emprego ou trabalho através destes laços.

O próprio Linkedin quer ser uma comunidade onde os profissionais possam procurar trabalho. Segundo a empresa, é dez vezes mais fácil encontrar negócios ou emprego através de uma rede de contatos do que através de sites de empregos.Vale tentar!

* Alessandro Barbosa Lima é consultor de marketing em meios eletrônicos e autor do livro E-LIFE - Idéias Vencedoras para Marketing e Promoção na Web.
 

Redação Terra