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Muito se fala sobre a Internet estar em todas as coisas, mas quais serão efetivamente os impactos de uma rede que estará ao mesmo tempo em toda a parte?
Hoje a Internet está intrinsecamente ligada a Computadores Pessoais. Os PCS foram uma revolução. O mouse, as interfaces gráficas e todas as outras invenções que habitam estas máquinas que conhecemos e que nos parecem tão familiares revolucionaram a forma como lidamos com a informação e até mesmo como interagimos com as pessoas. E a Internet veio complementar esta revolução.
Uma aluna minha brincou um dia destes dizendo que um Computador Pessoal sem Internet não era um Computador. De fato, um PC sem Internet é como um celular sem linha telefônica. Internet virou gênero de primeira necessidade: água, luz, telefone e Internet.
A próxima revolução da tecnologia da informação parece estar no caminho contrário, ou seja, na destruição do PC. Ou, mais especificamente, da idéia do PC como o conhecemos hoje.
A miniaturização dos componentes tecnológicos e a Internet sem fio (seja o Wi-Fi ou uma tecnologia mais nova) irá permitir que aos poucos tenhamos a Internet como uma rede ubíqua. O Aurélio, define ubíqua como: "que está ao mesmo tempo em toda a parte".
Pois bem, a Internet que está ao mesmo tempo em toda parte já começou. É uma nova revolução silenciosa, que se inicia com palms e celulares que acessam a rede e enviam e-mail. Mas que aos poucos vai evoluindo para outros objetos. A sua mesa da sala, sua geladeira, seu despertardor, o seu carro, enfim, todos os objetos serão parte da Internet. Isso mesmo, não darão apenas acesso à Internet, farão parte dela. Sua cama poderá ter um endereço IP.
Esta revolução lenta irá exigir novas aplicações em software, programas especiais que permitirão que possamos interagir com cada objeto de forma amigável usando a voz ou mesmo objetos que se adaptem ao nosso estilo de vida.
A Microsoft já está de olho na Internet Ubíqua. Em 2002, Bill Gates apresentou na Comdex um despertador que conhece a agenda do dia do seu dono e o acorda um pouco mais cedo ou mais tarde, de acordo com as condições do tempo ou do trânsito.
A Microsoft investiu também em relógios de pulso inteligentes (Smart Watchs) que estão sendo comercializados no MSN Direct. Os relógios custam cerca de US$ 200 e os internautas assinam por US$ 59 um serviço especial que permite receber informações sobre o tempo, mercado ou notícias no dispositivo.
A LG criou eletrodomésticos que além de se conectarem à Internet, conectam-se entre sim, tornando-se parte de uma Intranet onde é possível acionar a lava-louça ou o Microondas a distância.
Na Internet Ubíqua que se desenha todos os dispositivos que nos cercam estarão conectados à rede. Do despertador que nos acorda pela manhã à nossa geladeira. Mas como isto mudará a nossa vida?
Atualmente a Internet Ubíqua é apenas demonstração de tecnologia das grandes empresas. As interfaces são complicadas e conheço poucas pessoas no mundo que iriam ficar de pé em frente a porta da geladeira para ler uma receita de bolo encontrada na Internet. A interface, por melhor que seja, não é tão amigável como o mouse. Algo bem próximo da experiência de acessar e escrever e-mails no celular.
Mas o futuro reserva novidades. Imagine usar o Google não para pesquisar páginas estáticas da web, mas para descobrir aonde se encontra naquele instante um amigo ou para saber exatamente em que ponto da estrada há um McDonalds. Ou ainda para descobrir a chave da casa ou qualquer outro objetivo perdido., esquecida em algum lugar. Uma simples busca, como a que fazemos por palavra hoje, irá resolver estes problemas.
As buscas não serão restritas apenas a informações, mas a tudo que efetivamente estará conectado à Internet. Aos poucos, não prestaremos mais atenção à rede, como não damos mais a devida atenção à eletricidade. Enquanto digito este artigo, a última coisa que penso é que meu PC está em funcionamento por conta da eletricidade.
Por outro lado, nossa privacidade estará cada vez mais ameaçada. Se hoje recebo spam apenas se acessar meu e-mail, com a Internet Ubíqua poderei receber mensagens não desejadas em qualquer lugar e situação.
O limite entre o real e o virtual será quase imperceptível. Imagine uma festinha na sua casa com amigos reais e virtuais. Os virtuais são amigos que estão em outros lugares no momento da festa e que têm sua presença na festa projetada com projetores holográficos especiais conectados à Internet.
O seu filho poderá se encontrar com os coleguinhas dentro do jogo de videogame. Aliás, ele poderá fazer sua lição de casa dentro do próprio jogo e mesmo jogar bola. O virtual será o real para muita gente. Semelhanças com a Matrix não serão apenas coincidência.
O marketing será mais intrusivo do que hoje, pois as empresas de propaganda conhecerão não apenas nossos perfis, mas saberão informar exatamente a que objetos e pessoas estamos conectados. O seu celular velhinho poderá fazer propaganda de um celular novo.
Um fã de uma marca qualquer que se comunica com muitos amigos através da Internet Ubíqua será incomodado por outras empresas interessadas em promover produtos e serviços. As pessoas mais conectados serão incentivadas inclusive com produtos grátis, desde que mantenham sua rede de contatos e falem dos produtos para seus amigos.
Felizmente, ainda estamos em 2004 e isso tudo parece apenas exercício de ficção científica. Mas é um exercício interessante: pensar como o mundo será diferente em pouquíssimo tempo com a Internet Ubíqua.
* Alessandro Barbosa Lima é consultor de marketing em meios eletrônicos e autor do livro E-LIFE - Idéias Vencedoras para Marketing e Promoção na Web.
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