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Na coluna passada vimos como a Internet e a Tecnologia da Informação estão nos ajudando a mapear nossas redes sociais. Além de criar aplicações que irão mapear nossas redes profissionais e de amigos, a tecnologia da informação e o conhecimento sobre o funcionamento das redes pode nos ajudar com objetivos um pouco mais nobres, como o combate ao terrorismo.
O consultor Valdis Krebs sempre trabalhou com o mapeamento de redes corporativas. Após o atentado de 11 de setembro, ele resolveu mapear as redes de terroristas que participaram dos ataques, ligando cada terrorista a outro a partir de informações divulgadas durantes as investigações. Os resultados são surpreendentes. Mohammed Atta, apontado como um dos mentores ao ataque às torres gêmeas, e que pilotava o vôo da American Airlines que colidou com a Torre Norte do World Trade Center, era o terrorista que mais possuía conexões com outros 19 terroristas que participaram da ação. Com a ajuda de um software, a rede de terrorismo foi mapeada a partir de informações divulgadas pela imprensa.
A experiência mostrou que a rede Al-Qaeda não é muito diferente da nossa rede de contatos que estamos mapeando através de softwares como o Orkut ou LinkedIN: alguns indivíduos muito conectados (hubs) e que mantêm laços fortes e fracos entre si.
Assim como nossas redes sociais, a rede Al-Qaeda pode ser continuamente mapeada a partir da investigação que as autoridades de todo o mundo fizerem entre seus membros. Como alerta Krebs, em seu paper Uncloacking Terrorists Networks, obter dados sobre as relações entre os membros da Al-Qaeda não é tarefa das mais fáceis. Mas conhecer as redes, e estabelecer ligações entre as redes dos terroristas que recentemente participaram dos atentados na Espanha com o dos outros atentados realizados pela Al-Qaeda em todo o mundo pode nos ajudar não apenas a encontrar os mandantes dos atentados recentes, mas a prevenir novos ataques.
Sabemos que os indivíduos mais conectados, como falei na coluna passada, são os responsáveis pela disseminação dos vírus de computador. Se você tem 100 contatos no seu Outlook e eu tenho apenas 10, e se nós dois formos infectados por um vírus de computador, o vírus através de você irá contaminar 100 pessoas contra apenas 10 infelizes que receberão o meu vírus.
O mesmo vale para a rede de terrorismo Al Qaeda. Destruir Osama Bin Laden é interessante como Propaganda política do Governo Bush, mas se quiser mesmo destruir a rede terrorista, os americanos precisarão identificar quem são os hubs nesta enorme rede e quais suas ligações.
Uma rede como a Al-Qaeda não é muito diferente da nossa rede de contatos ou da rede de aeroportos brasileiros. Alguns aeroportos, como o de Guarulhos, são os hubs. Se Guarulhos for fechado, ocorrerão atrasos em todos os outros aeroportos brasileiros. Se um terrorista altamente conectado for eliminado, poderemos desestabilizar momentaneamente a rede Al-Qaeda.
Redes como a Al-Qaeda, assim como a Internet, não são fixas, mas crescem continuamente e têm seus hubs (indivíduos com mais conexões) alterados de tempos em tempos. Basta uma boa olhada nas nossas redes sociais através do Orkut ou LinkedIN. Elas estão congeladas? Não, crescem continuamente. Os indivíduos mais conectados hoje não são os mais conectados amanhã.
Se os americanos quiserem mesmo destruir a Al-Qaeda é bom que eles dêem uma olhada mais de perto na Teoria das Redes. Qual a relação disso tudo com o Web Marketing, tema desta coluna? Continue lendo a coluna e meu livro para saber mais. Até a próxima.
* Alessandro Barbosa Lima é consultor de marketing em meios eletrônicos e autor do livro E-LIFE - Idéias Vencedoras para Marketing e Promoção na Web.
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