|
O líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, estruturou sua organização de forma reticular imitando os princípios da Internet, com o que pode resistir melhor aos ataques exteriores, segundo o diretor do Centro Francês de Investigação sobre Inteligência (CFRR), Eric Dénéce.
"Hoje é mais difícil penetrar nas estruturas da Al-Qaeda que nas soviéticas na época da 'cortina de ferro'", declara hoje o especialista no jornal Liberation.
"A Al-Qaeda não tem estrutura hierárquica, dispõe de menos elementos financeiros do que imaginamos e limita-se a comunicação de pessoas que estão sozinhas em um determinado momento".
O diretor desse centro francês considera que "não há nada mais difícil que lutar contra uma movimento com uma estrutura dessas características".
Coincidindo com a reunião hoje em Madri dos chefes dos serviços de inteligência dos países do chamado G-5 (Espanha, França, Itália, Alemanha e Reino Unido) para buscar novos caminhos da luta européia contra o terrorismo, Dénéce afirma que não é preciso harmonizar os canais de informação, mas trocá-la de forma mais intensa. "Para a luta antiterrorista, quantos mais canais de informação, maior a eficácia", acrescenta.
O especialista descarta um problema de concorrência entre os serviços de inteligência dos diversos países da União Européia, já que cada um "tem interesses diferentes".
"Os franceses vigiam muito bem seu território e os países do Magrebe, enquanto os italianos conhecem melhor os movimentos islamitas que transitam pelos Bálcãs e as máfias albanesas", continua.
"A divisão de papéis é muito bem feita", afirma, excetuando o caso da Espanha, "cujos serviços secretos locais, que trabalham enormemente sobre o ETA, não tinham muitos meios para lutar contra os islamitas".
|