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Agora que as operadoras de telefonia celular acabaram de aprontar suas caras redes de terceira geração (3G), uma nova tecnologia de comunicação sem fio promovida pela indústria de computadores está prestes a estragar a festa.
Em jogo estão dezenas de bilhões de euros em receitas de telecomunicações sem fio, à medida que a gigante dos semicondutores Intel apóia cada vez mais o WiMAX, uma poderosa tecnologia de transmissão de dados sem fio que dá às operadoras de telefonia fixa uma arma poderosa para contra-atacar as rivais móveis que há muito tempo consomem suas receitas de voz.
O WiMAX, um padrão da indústria que tem o nome "científico" 802.16 e também é apoiado pela maior fabricante de telefones celulares do mundo Nokia, oferece transmissão de dados em alta velocidade entre pontos situados a 50 quilômetros de distância um do outro.
Comparado com as primeiras redes de telefonia 3G, que já conseguem trafegar dados sem fio em alta velocidade, o WiMAX é 30 vezes mais rápido e atende uma área até 10 vezes maior.
Mas o problema é que no momento em que as companhias de telefonia celular européias acabaram de torrar 100 bilhões de euros em licenças para operação de serviços 3G e estão gastando agora outras dezenas de bilhões de euros na instalação das redes, surge o WiMAX que opera em uma freqüência livre e necessita de menos estações rádio-base para funcionar.
Operadoras de linhas fixas que ainda não instalaram redes podem começar uma WiMAX com custo muito baixo, usando suas infra-estruturas integralmente amortizadas para conectar tráfego de dados sem fio à Internet e começar a recuperar as receitas perdidas para as celulares.
Analistas britânicos estimam que as receitas com chamadas sobre linhas fixas caíram 20% durante os últimos seis anos, principalmente porque as chamadas estão indo para as operadoras móveis.
"É uma oportunidade maravilhosa para as operadoras de linhas fixas", disse o chefe da divisão de infra-estrutura celular da Motorola, Adrian Nemcek, à Reuters, durante a feira de tecnologia CeBIT.
A tecnologia WiMAX é tão importante que os executivos da Intel discutem seu progresso quase três vezes por semana. E até 2006, a empresa planeja incluí-la em seus microprocessadores, presentes atualmente em 80 por cento dos computadores do planeta.
Nemcek acredita que o WiMAX será uma realidade para muitos consumidores nos próximos três ou quatro anos. "Isso dá às redes 3G três anos para conseguirem estabelecer seus negócios", disse o executivo.
A indústria de telefonia móvel abraçou o 3G porque prometia melhorar a qualidade de chamadas de voz, além de transmitir dados em alta velocidade, permitindo exibição de vídeos, recebimento de emails e download de jogos.
O WiMAX é projetado para dados somente, mas isso está se tornando menos relevante agora que operadores e fabricantes de equipamentos estão levando as chamadas de voz para a Internet, na tentativa de simplificar infra-estrutura e reduzir custos. "O custo por bit transmitido tem caído. Nós vamos passar por grandes mudanças significativas", disse Nemcek.
O banco de investimentos Merrill Lynch estima que 80 por cento de todas as chamadas feitas a partir de prédios ou universidades, onde o WiMAX e seu primo pobre Wi-FI funcionam melhor. O banco dá como exemplo a Dartmouth College, da Grã Bretanha, onde estudantes podem fazer chamadas gratuitas locais e internacionais gratuitamente usando links de Internet Wi-Fi.
"Quando mais o 3G for atrasado, maior será a oportunidade para serviços Wi-Fi conseguirem público", disse o Merrill Lynch em nota recente. A operadora líder da França, France Telecom, admitiu que terá que utilizar uma série de redes diferentes, incluindo 36, Wi-Fi e outras infra-estruturas de tecnologias emergentes.
"Somos uma companhia que tem uma rede e estamos nos transformando em uma empresa que oferece serviços aos consumidores por meio das melhores tecnologias disponíveis", disse o presidente-executivo da France Telecom, Thierry Breton, durante a CeBIT.
Para atender tais clientes, a Motorola está planejando oferecer às operadoras infra-estruturas de redes que trabalhem com 3G, Wi-Fi, WiMAX e outras versões futuras. A empresa acredita que o WiMAX ganhará impulso inicial nos Estados Unidos para depois se difundir na Ásia e Europa.
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