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Quem são os formadores de opinião da Internet?
 
Alessandro Barbosa Lima*
 
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Na última coluna perguntei aos meus leitores quantos contatos cada tinha em seu Outlook. A média de contatos era de 140, ou seja, um número bem próximo dos 150 que falamos na coluna passada.

Porém, é interessante observar que algumas pessoas têm mais contatos do que outras. Enquanto algumas têm 46 contatos em seu Outlook, outras possuem números superiores a 300 contatos.

Como já expliquei aqui, estas pessoas super conectadas são os hubs. Numa rede de topologia escalável, como a malha de aeroportos brasileiros, um hub seria o aeroporto de Guarulhos. Qualquer problema ou qualquer atraso naquele aeroporto implica em atrasos e problemas em todos os aeroportos brasileiros.

No marketing chamamos os hubs de "formadores de opinião" ou "influenciadores". Eles são indivíduos que normalmente se comunicam com um número muito maior de pessoas do que a pessoa comum. Os hubs não são as pessoas que adotam novos comportamentos ou começam a usar um software, ou ouvir uma música antes de todo mundo. Estes são os "early adopters" ou os consumidores que adotam uma inovação que mal chegou ao mercado. Os hubs adotam uma inovação um pouco depois dos "early adopters" mas têm a capacidade de promover esta inovação de forma espontânea para sua imensa rede de amigos.

Na web eles fazem isso através do e-mail, comunicadores instantâneos, comunidades online, softwares peer-to-peer (como o Kazaa) e através da disseminação de idéias em blogs e sites pessoais. Os blogs mais linkados são os hub-blogs ou blogs formadores de opinião. Já citei na coluna o exemplo do blog do Edney, de São Paulo, que têm absurdos 1.520 outros sites apontados para ele.

Recentemente, dois físicos, o espanhol Romualdo Pastor-Satorras e o italiano Alessandro Vespignani descobriram que os vírus de computador, mesmo após terem sido catalogados pelos antivírus, continuavam circulando na Internet, em níveis baixos.

Os cientistas descobriram que vírus informático não seguia o modelo de difusão do vírus biológico, que ou se espalha e causa uma epidemia (parcela da populção é infectada) ou desaparece. Ao contrário, o vírus de computador continuava circulando, mesmo após a descoberta de um antídoto para ele. Dos 814 vírus estudados pelos cientistas, a maioria deles estava vagando há anos na Internet, mesmo depois de descoberta sua cura.

Satorras e Vespignani descobriram então que os hubs são os grandes responsáveis pela existência longa dos vírus. Basta que um vírus adormecido atinja o e-mail de um usuário-hub (grande número de contatos) desprotegido para que este vírus novamente inicie uma pequena epidemia.

O estudo dos hubs ou dos formadores de opinião nas redes de topologia escalável é recente. Mas as empresas não perdem tempo e já lançam aplicações que no momento pretendem mapear os formadores de opinião da Internet.

O Google acaba de lançar o Orkut. O serviço permite qualquer internauta mapear e gerenciar uma rede de contatos pessoais na Web. Outro serviço que aposta nas redes escaláveis é o LinkedIn. Voltado para o mercado corporativo, com este serviço é possível criar e gerenciar redes de negócios. O LinkedIn importa os contatos do Outlook, mapeia sua rede de contatos e mostra quantos graus de separação na rede você está de cada contato. Os dois serviços são gratuitos.

Além destes serviços, Hotmail, Google, e os principais comunicadores instantâneos do mercado estão mapeando as redes sociais na Internet. Hoje, empresas como a Microsoft podem criar um mapa das relações sociais entre usuários da Internet no Brasil que usam o seu serviço de e-mail grátis Hotmail ou o Messenger.

Uma vez mapeada a rede de contatos, criar ações de Marketing Viral que atinjam os hubs ou os formadores de opinião fica bem mais fácil. A idéia é, sabendo quem são os formadores de opinião, gerar ações de web marketing que atinjam estas pessoas. Se o formador de opinião gostar do produto ou serviço, as chances dele usar sua rede de contatos são grandes.

Os hubs têm sido usados inclusive na vacinação em massa em países em desenvolvimento. O estoque de vacinas muitas vezes é insuficiente para imunizar toda a população, então normalmente eram imunizadas pessoas escolhidas ao acaso. Hoje, uma nova pesquisa divulgada pela revista Science em dezembro de 2003 mostra que foram obtidos resultados muito melhores ao se vacinar os hubs. Para isso, os cientistas escolheram pessoas ao acaso e pediram para que cada uma indicasse um amigo. O amigo então era vacinado. Os cientistas descobriram que as chances do amigo indicado ser um hub eram bem maiores. E vacinando os hubs (pessoas que mantém uma rede de relacionamentos ampla) é mais fácil deter a disseminação da doença.

No meu livro falo mais sobre este assunto. Até a próxima semana.

* Alessandro Barbosa Lima é consultor de marketing em meios eletrônicos e autor do livro E-LIFE - Idéias Vencedoras para Marketing e Promoção na Web.
 

Redação Terra