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A Telexpo Wireless 2003, que ocorreu em 17 e 18 de setembro em São Paulo, revelou uma tendência entre operadoras, desenvolvedores e prestadores de conteúdo para celular: aposta em serviços como MMS e chat para atrair os usuários ao universo wireless.
Segundo Fabian De La Rúa, CEO da PMovil, "o grande desafio reside em como atrair os usuários comuns para os serviços wireless". Para Yen Wen Shen, diretor de desenvolvimento de novos negócios da Abril, "é necessário criar uma cultura no Brasil que mude a idéia de que celular só serve para falar".
Nesse cenário, o MMS, o chat e os ringtones figuram como serviços de fundamental importância para atrair os usuários. De La Rúa afirma que um aplicativo como o bate-papo é capaz de criar uma comunidade fiel ao mundo wireless. ¿Depois de experimentar o chat, a grande maioria dos usuários volta a acessar de forma regular esta forma de entretenimento¿, afirma o CEO da PMovil.
De La Rúa considera o desenvolvimento de aplicativos de fácil utilização como um dos pré-requisitos para adoção do wireless pelo usuário comum. Outro ponto importante é a necessidade de investimento em marketing, para mostrar como funcionam os serviços e estimular o público-alvo a utilizá-los.
Entre os aplicativos de maior apelo aos usuários, o MMS figura como a grande aposta do mercado wireless. Como esta ferramenta agrega diversos recursos, as empresas do setor possuem diversas possibilidades para criação de serviços inovadores.
Para Marcos Malzone, diretor de soluções da LogicaCMG Sul América, o foco dos novos serviços em MMS deve ser em conteúdo de mídia de massa para criar uma base fiel de usuários. De La Rúa afirma que o sexo via celular em um dos conteúdos mais populares é que mais geram lucros no mundo wireless.
Entre as inovações, que poderiam ser estimuladas no Brasil, está a interação entre TV e os donos dos celulares. Malzone cita o exemplo da MTV da Europa, que possui um serviço que permite aos usuários enviarem mensagens MMS com suas respectivas fotos. Durante um programa específico, a mensagem de texto e a imagem da pessoa aparecem na televisão.
Outro serviço que Malzone entende que terá uma grande demanda é a possibilidade de enviar fotos via MMS. No entanto, o diretor da LogicaCMG aponta que não basta ter uma câmera no celular. "Na Europa, o envio de imagens só foi alavancado quando as operadoras criaram outros aplicativos, como o photoalbum, com foco neste serviço".
No que toca ao custo das mensagens MMS, Malzone diz que é um erro cobrar por kilobytes Deveria sim ser cobrado dos usuários o conteúdo do serviço que ele acessa. E para estimular o MMS, as operadoras poderiam oferecer promoções. O diretor da LogicaCMG diz que na Europa e na Ásia, o preço da mensagem multimídia é quatro vezes maior que o do SMS.
Outra frente para popularizar os serviços wireless, diz De La Rúa, deve ser no preço dos aparelhos telefônicos móveis, já que "o preço alto dos celulares impedem que as pessoas trocam os modelos antigos pelos mais novos". O CEO da Pmovil acredita que o natal desde ano terá uma grande oferta, cerca de 10 modelos, de celulares aptos aos serviços wireless com custo competitivo, abaixo de R$ 600.
De La Rúa afirma que "os usuários estão dispostos a pagar para personalizar os seus celulares". Por isso, complementa, investir em novas ferramentas, como Screensavers e Wallpapers, e melhorar os existentes - novo ringtone polifônico, por exemplo - são essenciais. Investir em aplicativos de game e conteúdos streaming são tendências a serem exploradas.
Segundo Shen, a grande dificuldade para os prestadores de conteúdo é a adaptação para diversas mídias. O diretor de desenvolvimento de novos negócios da Abril cita como exemplo a própria experiência da editora. "Quando migramos do impresso para internet, pensávamos que era só copiar da revista e colocar online. Mas isso se mostrou errado. Quando entramos no wireless, acreditou-se que era só fazer um copy and paste e tudo estaria resolvido".
Shen diz que essa migração automática é incorreta e muitos pontos devem ser levados em consideração para promover uma adaptação de conteúdo de forma eficaz, como a "relevância, navegabilidade, interatividade, limitações técnicas, entre outros". O fundamental, explica Shen, é produzir conteúdos e serviços de acesso universal por todas tecnologias.
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