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O que a Internet pode ensinar à indústria musical
 
ALESSANDRO BARBOSA LIMA *
 
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O sonho da cantora Chris Nasser é lançar o seu primeiro disco. Para isso, ela trocou Recife pelo Rio, onde junto com seu marido Renato, atual tecladista de Djavan, batalha por um lugar ao sol no show business. Chris acabou de gravar o seu primeiro disco. E, apesar de ser bem relacionada no mundo da música, para ela, assim como para qualquer novo artista, agora é que vem o mais difícil: como lançar e como distribuir sua obra?

Chris sabe das dificuldades naturais de lançar sua música por um grande selo. Então resolveu ser independente. E para os independentes, um caminho natural seria a Internet. Mas promover e vender música na Internet não é tarefa das mais fáceis, haja visto que até gente grande, como as gravadoras, têm apanhado com a nova mídia.

Em parte por conta da pirataria. Segundo dados da indústria do disco nos EUA, as vendas de discos caíram 26%, de 1,6 bilhões de unidades em 1999 para 860 milhões de unidades em 2002, apenas nos EUA. Em parte pelo número de usuários que adotaram a troca de arquivos musicais na Internet. Em maio, o Kazaa, o mais famoso sistema de troca de arquivos online, quebrou o recorde, que era do ICQ, do software mais baixado pela Internet: 230,309,616 milhões de downloads.

Alguns números levam a crer que ir a uma loja e comprar um CD é um comportamento do século passado: as vendas de CDs virgens aumentaram 25% nos EUA, nos últimos anos. Das duas uma: ou aumentou a preocupação dos consumidores com o backup de seus arquivos, ou o hábito de ser ir a uma loja comprar CD foi trocado pelo de fazer o seu próprio CD com músicas encontradas na internet. A indústria americana iniciou recentemente uma caça às bruxas. Promete processar cada usuário pego fazendo download de músicas ilegalmente na web.

O que artistas, indústria e consumidores podem fazer para se adaptar à nova realidade?

Os artistas, incluindo Chris Nasser, devem aproveitar a liberdade e o alcance que a Internet proporciona para lançar sua obra e ser dona do próprio nariz. Não é mais necessário ter uma gravadora para promover e vender um disco, música ou qualquer produção intelectual online.

E não faltam soluções. A empresa SaciDisc, por exemplo, está desenvolvendo um software proprietário através do qual será possível promover e comercializar música pela internet, através de pequenos conteúdos digitais, chamados de sacidiscs. Cada sacidisc é um pacote composto por músicas, conteúdo interativo, ferramentas para registro do disco e imagens para impressão. A empresa acaba de lançar a versão beta deste software e, promete para breve uma solução que incluirá suporte a comércio eletrônico. Tudo respeitando direitos autorais. Artistas, ou mesmo gravadoras, podem utilizar a solução da SaciDisc para comercializar músicas ou álbuns através da Internet.

Para o consumidor, a solução da SaciDisc acaba com um problema comum para os mais tradicionais fãs de música: como ter encartes, capas e outras informações de uma música capturada na Internet? No software, há opção de não apenas criar o seu disco, mas de baixar legalmente para seu computador todo o material promocional, como capas, selos do disco e videoclipes do artista. Depois, com uma impressora de boa qualidade, basta apenas imprimir e confeccionar seu próprio CD.

Enquanto a indústria musical busca culpados pela queda nas vendas, empresas como a Apple propõe soluções. A Apple, pegando carona no sucesso do seu MP3 Player, decidiu comercializar músicas com copyright na Internet por US$ 0,99 ao invês de tentar comercializar álbuns com 10 músicas. Nas primeiras 2 semanas do seu novo serviço, chamado de iTunes, a Apple comercializou 1 milhão de músicas. Se continuar a vender música dessa forma, poderá faturar dentro de um ano cerca de US$ 52 milhões com música na Internet. Um bom exemplo para as gravadoras.

* Alessandro Barbosa Lima é consultor de marketing em meios eletrônicos e autor do livro E-LIFE - Idéias Vencedoras para Marketing e Promoção na Web.
 

Redação Terra