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Lições de marketing do vírus de computador
 
ALESSANDRO BARBOSA LIMA *
 
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Em 11 de novembro de 2003, o vírus de computador completa 20 anos. A data não deve receber muitas comemorações. Segundo relatório da Computer Security Institute e do FBI, divulgado em maio, os vírus de computador causaram no último ano prejuízos de cerca de US$ 27 milhões, apenas em organizações e instituições americanas.

O pesquisador Frederick B. Cohen, hoje conhecido como Fred Cohen, é considerado o "pai dos vírus de computador", tendo cunhado o termo "computer vírus" na sua tese de doutorado, pela University of Southern California, em 1983. No dia 11 de novembro daquele ano, Cohen fez a primeira demonstração pública de um programa de computador capaz de se auto-duplicar.

O curioso é que o vírus de computador se popularizou na mesma época de outro vírus: o HIV. Em 1983, o cientista francês Luc Montagnier, do Instituto Pasteur, isola o vírus da AIDS.

Um ano depois, em 1984, o vírus de computador chegaria ao conhecimento da comunidade científica, através de uma série de artigos publicados na coluna Computer Recreations da revista Scientific American.

A primeira notícia sobre infecção por um vírus de computador veio à tona em 1986, através de uma praga eletrônica chamada "Pakistani Brain", criada pelos irmãos Basit and Amjad Farooq Alvi, de Lahore, do Paquistão.

Durante toda a década de 80 e 90 vários vírus de computador se tornaram célebres. Entre os mais famosos, o vírus "Michelangelo", que surgiu em 2 de março de 1992 e que atacaria a cada dia 6 de março, aniversário do artista italiano.

O vírus "Michelangelo" foi o primeiro a causar histeria pela mídia, principalmente nos EUA. A Agência de Notícias Reuters divulgou inicialmente que cinco milhões de computadores já estariam hospedando o vírus, e que 1 em cada 4 computadores nos EUA seria infectado. Dos 5 milhões de computadores, apenas entre dez e vinte mil PCs foram realmente infectados. Apesar disso, a histeria continuou e toda uma indústria foi criada a partir do vírus de computador.

Mas o que o vírus de computador pode nos ensinar sobre webmarketing? Convencionou-se chamar de Marketing Viral as formas não lineares de divulgação de informações na internet, inspiradas nas bem sucedidas infestações de "vírus".

Um estudo realizado pelo pesquisador Fernando Jucá Bentivegna, da FGV, identificou 6 fatores importantes para o sucesso de ações de marketing viral na internet. São eles:

1. Familiaridade com a marca da empresa que realiza a ação de marketing.

2. Desenvolvimento de uma massa crítica de amplificadores da mensagem.

3. Baixa complexidade da Mensagem

4. Existência de Incentivos para Replicação da Mensagem

5. Componente de Diversão da Mensagem

6. Ineditismo da Ação de Marketing Viral

A essa lista eu incluiria a existência de incentivos para abertura da mensagem. Um dos vírus que mais contaminaram usuários da internet até hoje, LOVELETTER, usava uma simples "carta de amor" enviada por e-mail para "seduzir" suas vítimas, que normalmente abriam o arquivo atachado por conhecerem o rementente da mensagem. Na verdade, o vírus roubava contatos do software de e-mail de suas vítimas para enviar a sua "carta de amor".

Pesquisando e testando formas virais de promover informações na internet, desenvolvi em conjunto com um grupo de programadores um "vírus do bem". O vírus se replicava utilizando a Agenda de Contatos do Microsoft Outlook, assim como o vírus LOVELETTER. Usamos a técnica para promover doações para uma instituição que apóia a infância e a adolescência, com uma pequena alteração: o "vírus do bem" pediria a permissão antes de enviar e-mails. Resultado: a base inicial de 4.205 e-mails cresceu 93% em apenas 13 dias.

Promover idéias na web usando o modelo do vírus não exige necessariamente tecnologia avançada ou os serviços de um hacker de computador. Muitas piadas, alertas falsos de vírus, boatos, textos e imagens varrem a internet todos os dias. Seus criadores usaram apenas um editor de textos e um software para envio de e-mails. Observar com mais atenção estas mensagens e os vírus de computador pode nos ajudar a promover produtos e serviços na internet de forma mais eficaz.

Se você tem dúvidas sobre Webmarketing e como promover idéias, produtos e serviços na internet, mande-as para esta coluna. A partir da próxima edição responderemos às melhores perguntas neste espaço.

* Alessandro Barbosa Lima é consultor de marketing em meios eletrônicos e autor do livro E-LIFE - Idéias Vencedoras para Marketing e Promoção na Web.
 

Redação Terra