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| Imacon Flexitight 848 |
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Um dia, se me permitem a digressão, eu estava no meu antigo escritório de design gráfico. Toca o interfone, atendo. Era a vendedora de uma gráfica. Ao abrir a porta, me deparo com uma morena MA-RA-VI-LHO-SA. Ficou até difícil me ligar no assunto (ela viera apenas entregar o material de um cliente). Meses depois, lá estava ela, na capa da Playboy. Merecidíssima! Guardadas as devidas proporções, foi esta a sensação que tive ao ver o scanner Imacon Flextight 848.
Como no caso da vendedora acima, eu sabia que ele viria para um rápido test drive aqui no meu atual estúdio. Mas não imaginava que fosse tão bom e bonito! Primeira coisa: colocá-lo na minha mesa. Ficou lindão. Fiquei intrigado com o formato vertical. O representante da Imacon me explicou que os dinamarqueses são caprichosos no design. E ao desmontar a tampa, ficou clara a funcionalidade desse design. O sensor fica no topo, de cabeça para baixo. Não acumula poeira. Simples e inteligente. A objetiva (por sinal, uma alemã Rodenstock) move-se verticalmente, no centro da torre. E a fonte da luz que perpassa o filme fica na base.
Máscara magnética
Mas a grande sacada da Imacon é mesmo a máscara magnética. Aqui, vale a pena fazer um parênteses sobre o problema de fixação do original, quando se faz um escaneamento. Um scanner cilíndrico tem grande precisão, pois o original, seja negativo ou cromo, é literalmente grudado num cilindro de vidro. Um raio de luz, fino como um laser, varre a imagem. O drama é que, para grudar o filme no cilindro, utiliza-se óleo mineral ou silicone líquido. Para limpar o filme depois, é complicado. Corre-se o sério perigo de riscá-lo. Isso deixa os fotógrafos arrepiados.
Num scanner de mesa, não há necessidade de líquidos para fixação. Por outro lado, o original não fica perfeitamente plano. Logo, há eventuais problemas de foco. Além disso, a luz não é tão precisa quanto num scanner cilíndrico. Nos scanners dedicados (os famosos "caixas de sapato"), a fixação do filme se dá por máscaras de dois tipos: com ou sem vidro. Nas sem vidro, novamente ocorre o problema de manter o filme perfeitamente plano. O problema aumenta se o filme é maior, como o médio formato.
Tentando solucionar isso, criaram-se as máscaras com vidro. Duas placas fazem um "sanduíche" de filme, deixando-o plano. Mas, eventualmente surge outro problema: os anéis de Newton (aquelas "manchas" que se assemelham aos reflexos de uma bolha de sabão). A Imacon criou o conceito de "cilindro virtual". A sacada é fixar magneticamente o original. O filme fica preso entre uma manta magnética e uma placa de metal. Essa máscara metálica é flexível e, ao ser inserida no scanner, curva-se; assim, a luz perpassa o filme sempre da mesma distância, evitando problemas de desfoque.
É claro que ainda é necessária alguma habilidade na fixação do original, mas garanto que é muito, mas muito mais fácil do que num scanner cilíndrico. Na verdade, basta observar se não entrou torto ou amassado. Outro aspecto interessante deste scanner é a velocidade. Aproximadamente 50 MB por minuto. A conexão é FireWire. Instalar o software de escaneamento no Mac foi rápido e sem traumas. É curioso observar que, ao aplicar o filtro Sharpen (ganho de nitidez) no escaneamento, o índice é muito alto. (em torno de 600%, segundo Schiettekatte). O software de limpeza automática da imagem, o Flexcolor, não pareceu muito eficiente. É verdade que foi um teste breve, mas pude perceber que várias sujeirinhas continuavam aparecendo, e o nível de perda de nitidez não era desprezível.
Comecei escaneando um cromo 4x5 (para quem não conhece, esta medida é em polegadas; portanto, é um filme de grande formato). Gerei um arquivo de 51 MB. Ou seja, 41x31cm a 300 ppi (pixels por polegada), no espaço de cor RGB. O resultado foi excelente. No caso do cromo 6x7 (Þg.1), escaneei com o objetivo de gerar um arquivo de 183 MB. Ou seja, 76x55 cm a 300 ppi, RGB. Reduzi a imagem para o tamanho que de fato me interessava: 25x20cm. É uma imagem de profundidade de foco bastante restrita, mas mesmo assim pode-se perceber a qualidade da captura.
Finalmente, escaneei um cromo 35mm (Þg.2). Por mera curiosidade, resolvi explorar a resolução máxima do aparelho 8.000 ppi. Gerou um arquivo de 230 MB (63x91cm, 300 ppi). Neste caso, a imagem resultante do escaneamento é apenas boa. Mas o fator limitante é menos o scanner e mais o tamanho do original. Escaneei o mesmo cromo no meu scanner pessoal, o Nikon LS8000 (4.000 ppi). Comparando as imagens geradas na mesma resolução, achei o Imacon um pouco superior. Se posso apontar uma desvantagem do Imacon, é o fato de me obrigar a tirar o cromo 35mm de sua moldura.
Conclusão: da mesma maneira que lamentei a saída da morena do meu antigo escritório, sofri ao ver o scanner sair da minha mesa. Voltou para a Dinamarca no dia seguinte. Mas o fato é que este scanner não é para pequenos e médios usuários; é altamente indicado para bureaus, que desejam qualidade de scanner cilíndrico mas preço acessível. O modelo testado custa aproximadamente US$ 20 mil (o valor exato ainda vai ser determinado pelo novo representante oficial da Imacon no Brasil, o distribuidor T. Tanaka). Um dos primeiros lugares a oferecer serviços baseados no Imacon é o Sambureau & Publicidade 11-3660-6481, publicidade@sambureau.com.br.
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Empresa: Imacon
Preço: US$ 21 mil a US$ 26 mil
Configuração: Mac OS 9.X, porta SCSI ou FireWire
Sensor óptico: CCD (3x8000)
Resolução óptica: 80 ppi a 8.000 ppi não-interpolada
Originais: Filmes (negativo e positivo) e material impresso
Formatos: Transparência: de 35 mm a 12x17 cm; refletivo: até A4
Densidade: 4,8 Dmax, passada simples
Ampliação: 20% a 3800%
Profundidade de cor: 16 bits por canal; saída TIFF de 8 ou 16 bits
Tamanho máximo de arquivo: 1,2 GB
Velocidade: 50 MB/minuto
Interfaces: FireWire e SCSI
Escaneamento em lote (batch): Sim
Autofoco: Sim
Auto-detecção de bordas: Sim
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Informações referentes à versão testada e à época de publicação desta análise.
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