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Terça, 8 de março de 2005, 10h06 
ZTE decide rever planos para o Brasil
 
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A ZTE, segunda maior fabricante chinesa de equipamentos de telecomunicações, teve que rever alguns planos para o Brasil, como o de uma fábrica própria. Mesmo assim, conseguiu faturamento acima do previsto em 2004.

O balanço auditado que deve ser divulgado nos próximos dias vai mostrar receita de US$ 50 milhões, acima dos US$ 30 milhões estimados há um ano, quando visitou o país o presidente mundial da ZTE, Yin Yimin. A expectativa é aumentar em pelo menos 30% a receita em 2005.

O diretor de desenvolvimento de negócios, Edson Melo, evitou antecipar o resultado líquido. "Mas no vermelho, com certeza, não está", disse em entrevista à Reuters. O executivo brasileiro demonstrou, em conversa telefônica, um misto de indignação e perseverança com o mercado doméstico de telecomunicações.

Ele antecipou anúncio que será detalhado em breve sobre a criação de novas divisões da ZTE no Brasil - pós-venda, pesquisa e desenvolvimento, celulares, engenharia, serviços. Além disso, o país foi escolhido como sede da empresa na América Latina, onde os chineses já têm escritórios na Argentina, Chile, Colômbia, Cuba, México, Panamá, Peru e Venezuela. A indignação é por conta das citações entre agentes do setor sobre os preços baixos praticados pelas fabricantes chineses: além da ZTE, a Huwaei, ambas fortes concorrentes em todo o mundo e também no Brasil.

"Me acusam de estar usando preços abaixo do mercado, mas contrato de infra-estrutura que é bom mesmo, não tenho nenhum", afirmou, acrescentando que a ZTE tem servido como "boi de piranha". Ele elencou os contratos que fechou em 2004: de US$ 100 milhões para fornecer 1,25 milhão de celulares para a Vivo e dois pequenos contratos de modem ADSL, um de 2 mil unidades com a Telefônica e um de 7.500 com a Brasil Telecom.

"Eu pago um preço muito caro até hoje pelo fato de ser chinês", lamentou-se. "A gente pode ser muito grande, mas aqui no Brasil o pessoal ainda tem medo. Quer dizer, tecnologia no final das contas é tudo igual, virou commodity, mas o fato que preocupa muito as operadoras é ter o serviço de pós-venda, de instalação", afirmou. No país há quase três anos, a ZTE optou por treinar em 2004 técnicos para garantir assistência aos clientes, preparando o terreno para uma mudança nesse ambiente de apreensão.

"Já fizemos testes em várias tecnologias diferentes, e o pessoal vê que a ZTE está mais do que pronta para entrar no mercado brasileiro, fazer instalação", disse. "Quero crer que para 2005 a gente vai conseguir dar a volta nesse cenário e fechar alguns contratos de infra-estrutura", disse ele, que tem entre as concorrentes empresas como Ericsson, Siemens e Lucent.

Dragão chinês
Depende desse resultado a retomada do plano de produzir equipamentos de infra-estrutura na área industrial de Barueri, São Paulo. "A grande verdade é que não temos ainda demanda de produção de infra-estrutura", afirmou. "Se conseguirmos uma fatia dessas tomadas de preços de 200 mil, 500 mil portas (de acesso) de que estamos participando, de repente, a gente consiga justificar os investimentos para produzir localmente."

Melo ousa dizer que a ZTE pode fazer ofertas agressivas de preços, mas refuta qualquer acusação de "dumping", uma prática comercial de cobrar menos que o custo de produção. "A ZTE até considera a possibilidade de trabalhar com lucro zero, mas jamais negativo", disse. Ele confirma a avaliação do mercado de que a entrada das chinesas na indústria brasileira de telecomunicações baixou preços.

"Pintam a gente como um dragão, tanto por ser chinês, quanto por ser um dragão que chega, bota fogo e destrói tudo", disse. "Minha avaliação é que (as operadoras) estão utilizando os preços das chinesas para poder baixar custos, aí passam preços para competição, que não quer perder e coloca no nosso nível." Para 2005, a ZTE espera fechar dois ou três contratos de infra-estrutura, na área de serviços, e vai entrar no segmento de celular GSM. Planeja também trazer plataformas de testes em tecnologia móvel de Terceira Geração (3G).

Sobre o limite de resistência da empresa chinesa no país, se o mercado continuar refratário a seus contratos, Melo declarou: "Zero por cento de chance de a ZTE deixar o mercado brasileiro. Vão ter que me engolir."
 

Reuters

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