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Quinta, 3 de junho de 2004, 10h16 
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Empresários que trabalham no desenvolvimento de software nacional pediram ontem uma definição do governo federal sobre quais áreas da administração do país devem adotar softwares livres, que não exigem cobrança de taxa de licenciamento.

"Não vamos trabalhar em um mecanismo que elimine a indústria brasileira", disse Márcio Girão, presidente da Softex (Sociedade para Promoção da Excelência do Software Brasileiro), durante abertura do 5o Fórum Internacional de Software Livre.

Pelas estimativas da Softex, o setor público responde por 30% do consumo de programas de computador no Brasil, sendo apontado como principal indutor e cliente das indústrias de informática em um mercado que movimenta US$ 10 bilhões por ano no país.

Girão defendeu a implantação de softwares livres em áreas de interesse público como folhas de pagamento, eleições, declarações de imposto de renda e governo eletrônico. Além disso, o presidente da Softex pediu a limitação do acesso de comunidades de programadores a licitações públicas, apesar do desenvolvimento do sistema operacional livre Linux ter sido baseado no trabalho coletivo de milhares de programadores ao redor do mundo.

"Não podemos ficar limitados a um movimento utópico, baseado no voluntariado e sem viabilidade econômica", disse o presidente da Softex, entidade que reúne empresas de software proprietário.

O governo federal começou no ano passado a aplicar uma política de substituição de softwares proprietários por livres na administração. Apesar disso, o governo ainda não tem uma avaliação sobre o impacto econômico da substituição de programas.

"A opção pelo software livre não leva em conta apenas os custos. Trata-se de apropriação de conhecimento", disse o coordenador da área de software livre do Ministério da Ciência e Tecnologia, Antenor Corrêa, acrescentando que o governo prepara com a Softex uma pesquisa para avaliar os resultados do projeto e que deve consumir entre R$ 100 mil e R$ 200 mil.

Segundo Sérgio Amadeu, diretor do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), que coordena os trabalhos de substituição de software proprietário, o governo economiza cerca de R$ 8 mil a cada 10 computadores que passam a usar programas abertos. A administração federal tem uma base de 300 mil computadores espalhados por vários órgãos do país.

A pesquisa coordenada pela Softex deve divulgar resultados em setembro. Uma das etapas do projeto é uma enquete para identificar o perfil do desenvolvedor e usuário de software livre e que ficará disponível na Internet até 2 de julho.

Mesmo sem números precisos, um dos exemplos de economia gerada com a troca de programas apresentado durante o Fórum de Software Livre é o Ministério da Previdência Social. A pasta deve deixar de gastar R$ 21 milhões este ano trocando o pacote para escritório Office, da Microsoft, pelo software aberto Open Office em 6 mil computadores.
 

Reuters

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